terça-feira, 24 de abril de 2012

Só tenho a agradecer!



Muito obrigado a todos aqueles que em algum momento embarcaram nesta viagem comigo.
Um grande beijo e até a próxima parada!


segunda-feira, 23 de abril de 2012

As cores do Canyon

Sexta pela manha, conforme programado, saímos de Tucson com destino ao Grand Canyon. Sem muita pressa, afinal era um passeio. 

Nossa primeira parada foi em Sedona, cidadezinha que lembra um pouco a estrutura de Pirenópolis, mas com um visual lindo das formacoes rochosas de la. Paramos, fotografamos, passeamos e pernoitamos la.

No dia seguinte, cedo, partimos de novo. Viajar com   belas estradas, lindas paisagens e ouvindo musicas dos anos 80 no radio. Bom demais...

A estrutura do Parque Nacional do Grand Canyon eh toda voltada para o turismo. Os preços são bem salgadinhos. No entanto, compensa ficar num hotel dentro do Parque, pois se ganha um tempo precioso, afinal só tínhamos um dia e meio para ficar la. O hotel excelente, mas no cafe da manha so agua, cafe e cha. Qualquer coisa a mais tem que ser pago e bem caro. Uma curiosidade, eh que fotografei a placa da fundacao do hotel e em, 1914, ele ja cobrava cafe da manha a parte.

Há programas e passeios para todas as idades. Fico encantada com a quantidade de pessoas idosas e com deficiência que vemos aqui, participando de tudo. Para os atletas, há trilhas de tirar o folego, com vários dias de caminhada. Para os intermediarias, há a possibilidade de andar pelas passarelas que contornam o vale tenho a cada parada, vistas lindíssimas. Ainda existe a possibilidade de pegar um ônibus, que circula dentro do Parque e para nos mais belos mirantes. Esta foi a minha opcao de domingo, depois de andar um sábado inteiro.

Como em todo ponto super turístico, como eh o caso aqui, há ainda outras opcoes de passeios. Uma, a de helicóptero, que cheguei a cogitar. Mas, depois que já se andou tanto e viu tanta coisa, dar quinhentos reais por 30 minutos de sobrevoo...Não. 

Outra opcao que esta sendo muito difundida eh a tal varanda com chão de vidro, para você ter a sensacao que esta solta sobre o Canyon. A verdade dos fatos eh bem outra. Em primeiro lugar, ela não faz parte do Parque. Ela esta situada numa propriedade particular e fica a cinco horas do Canyon. Só compensa ir caso se esteja a caminho de Los Angeles. Olhando pelo folheto direitinho, da pra ver que ela não eh tao grande assim e custa, claro uns duzentos reais para chegar a ela. Por tudo isso, não fomos.

A minha percepcao eh que não são necessários tantos aditivos para aproveitar bem este passeio. O Canyon eh lindo, visto de qualquer angulo. As cores vao mudando de acordo com a posicao do sol, e no final do dia, o espetaculo eh deslumbrante.

Claro que eh papel das agencias de turismo oferecer opcoes para estimular as pessoas e claro, obter seus lucros. Mas há tantas formas de se curtir um lugar lindo como esse. A quem vem, recomendo andar, passear, parar, descansar e so depois comprar algum passeio.

O que me interessou mais, foi um que une jeep e barco, pois adoro agua. Este, com duracao de doze horas, seria inviavel, mas para mim pareceu o mais interessante deles todos, o que eu faria caso tivesse tempo. Alem de percorrer uma regiao por cima, voce ainda desce e passeia pelo Rio Colorado, vendo entao os paredoes de baixo. Deve ser lindo. Quem sabe numa proxima vez?

No sábado a tarde, por exemplo, fizemos um piquenic no por do sol. Vinho branco, morangos, queijo, salada, numa área isolada. O sol se pondo por trás da minha cadeira. Isso, decididamente, não tem preço!

Ainda tenho três dias aqui no Arizona antes de voltar para Brasília. Há pequenos vilarejos históricos e povoados muito interessantes. Tenho que me apressar, para ainda ver o que falta.

A vida eh bela.



quarta-feira, 18 de abril de 2012

Existir ja eh muita coisa

Desde que cheguei ao Arizona, o  que mais tenho exercitado aqui, alem das longuíssimas caminhadas com meu amigo Tom Zé, eh existir.
O que chamo de existir eh fazer as coisas simples da vida. Nesta categoria estão parar, sentar, contemplar as pessoas, brincar com o cachorro, atualizar o álbum do face e o blog.

Já estive com ele por duas vezes na Universidade do Arizona, que eh fantástica, enorme, e que já justificaria algumas visitas.

Só o Museu estadual, que fica ao lado da Faculdade de Antropologia merecera um turno inteiro, o que alias, sera hoje.

Conheci o Museu do Deserto, repleto de plantas e animais desta região. Participei de uma caminhada promovida pela prefeitura, que lhe fornece um mapa para que você conheça pontos turísticos da cidade. A região do Arizona e lindíssima e ainda iremos no final de semana conhecer seu ponto alto, o Grand Canyon.

Tanto Ed como Tom Zé, trabalham com Educacao.
 Ed  trabalha com cegos, ensinando-lhes a adquirir independência e autonomia. Tem alunos cujas idades variam entre oito a vinte e dois anos.

Tom esta concluindo o doutorado em Antropologia, finalizando sua tese que tem o racismo como tema. Alem disso, ele ainda da aulas de Português na Universidade. Todos os amigos e amigas deles que conheci são também pessoas ligadas a área de educacao. Pessoas legais, atenciosas e interessantes. Na quinta-feira, eles farão uma reuniaozinha aqui e convidaram as pessoas que estão estudando Português para conversarem comigo. 

São estes para mim os momentos mais significativos de uma viagem.

Pois eh, existir já eh muita coisa mesmo.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

No Velho Oeste

Para quem sai de Nova York, qualquer que seja o destino, ele sera bem diferente. Imagine então, alguem que sai da efervescencia e borbulhancia de NYC para digamos, a região do chamado "Velho Oeste"americano? Pois foi o que fiz.

Foram dois os motivos que me trouxeram para cá. Mesmo enfrentando sete horas ao todo numa viagem de avião, eu queria visitar meu amigo Tom Zé, que mora aqui há anos e também, aproveitar para conhecer o maravilhoso Grand Canyon, que fica logo ali. 

Saindo de NY, peguei um voo  para Denver. Parando la, observo que a lanchonete se chama "Colorado", e que pessoas passam por mim usando botas, chapéus e camisa xadrez. Sem duvida, muito diferente. Duas horas depois, aterrisso em Tucson onde meus amigos Ed e Tom me aguardam. Paisagem de deserto, não falta nem aquela poeirinha dos filmes de faroeste...

No dia seguinte, um domingo, la fomos nos para as primeiras atividades. Tom Zé e professor de Português aqui e Ed ensina num curso para cegos. pelo que entendi, e como se ele ensinasse a essas pessoas como ter autonomia. Espero que de tempo de assistir a uma dessas aulas.

Meu primeiro dia foi bastante movimentado. Fizemos caminhada, fomos a um cafe onde Tom da aula de Português a Ed e outra moca, e ainda fomos a um aniversário de 60 anos de uma amiga de ED, também professora. Sobre este, achei interessante que ao chegar, cada um faz uma especie de crachá e coloca no peito. Assim, as pessoas se aproximam de você já sabendo seu nome e puxam conversa. Tom Zé me disse antes de sair de casa que o esquema  era este e que eu também deveria puxar conversa. Deu certo! Como alem do meu nome tive a ideia de desenhar também a bandeirinha do Brasil, este foi o chamariz. Fiquei feliz em conseguir conversar com varias pessoas, entendendo e me fazendo entender. 

Outra coisa sobre as festas, aqui nesta região. O convite para o aniversário, alem das informacoes de praxe, também especifica que tipo de alimento sera servido (no caso, foram tira gostos), e horário de inicio e final da festa. Esse era das 15h-18h. Tom Zé me disse que aqui os convites todos são assim e pude observar, que faltando dez minutos para as seis, o pessoal do buffet começou a recolher os pratos, talheres, etc. Sinal para que os poucos que ainda permaneciam no local começassem as despedidas. A comida, a proposito, estava deliciosa, lembrando que o México e logo ali e que em alguns pratos, como na batata doce com ricota e no sorbet (sorvete sem leite,só a fruta com acucar) havia bastante chili (pimenta mexicana).

No próximo final de semana botaremos o pé na estrada, rumo ao Grand Canyon. Mas ate la, com certeza já terei vivido novas e emocionantes aventuras.

Nova York: Tudo isto e muito mais

Há momentos em que penso que as coisas demoram a acontecer na minha vida. Mas, quando  reflito com um pouco mais de cuidado, constato que tudo comigo acontece na hora certa.

Eu e Remie
Hoje, muitas são as pessoas cuja primeria experiência internacional e vir para os Estados Unidos, mais precisamente, para Miami. No meu caso foi diferente. A minha primeira viagem foi para o Peru, Bolívia, depois veio Cuba. Europa. México, Europa de novo e só agora Estados Unidos. Creio que na hora certa.

Eu já  havia experimentado a juncão entre estudo e lazer na Inglaterra e a experiência foi muito boa. Quando decidi fazer a mesma coisa aqui, tinha em em mente o objetivo de conhecer este pais tao múltiplo como o nosso de uma outra forma. Assim, durante as duas semanas que passei aqui, tive aulas de inglês no período da manha e as tardes saia com uma professora para programas culturais e de lazer. Alem de turbinar meu inglês, pude realizar o sonho de estar em museus fantásticos e em lugares interessantissimos.

Como vim num sistema de ficar em casa de família, mais uma vez dei muita sorte. Assim como na Inglaterra, fui muito bem recebida e tratada. Remie, uma simpática filipina que trabalha como enfermeira, superou em muito o que era previsto no contrato, que era quarto e cafe da manha. Quase uma mãe, não me deixou faltar nada, saiu comigo inúmeras vezes. enfim, foi de uma gentileza fantástica. São anjos assim, que aparecem na nossa vida e que nos fazem acreditar que existe mesmo uma forca maior que nos proteje e orienta.

Luciana, Isa e eu na Parada da Pascoa
Ainda tive a sorte de, durante os feriados da Semana Santa, contar com a companhia de duas colegas de Banco, que estavam a serviço em Miami e que vieram para Nova York. Cada uma de seu jeito, tornaram meus feriados dias fantásticos, onde nos divertimos muito. Os sorrisos de Isa e Luciana com certeza fazem parte da galeria dos ótimos momentos aqui em New York City.

Sobre a cidade, tanto já foi dito e ela e mesmo tudo isto e muito mais. Milhares de opcoes culturais, locais a serem explorados, metro facílimo de usar, gente de todos os tipos e racas. Aqui se vê pessoas vestidas de todas as maneiras possíveis. Fiquei impressionada com os bebes, que estão em toda parte nos seus carrinhos, mesmo em shows noturnos. Creio que deva ser pelo fato dos pais não terem com quem deixa-los. Mesmo na movimentadissima Times Square, perto da madrugada, la estão eles, os bebes. Estive em dois espetáculos da Broadway, Mary Poppins e Priscilla, a Rainha do Deserto. Sai de ambos impresssionada com a qualidade e preparo físico e vocal dos atores. Espetáculo, sem duvida.

Ultima foto em NY, na varanda da casa de Remie
Como tinha  algum tempo, me arrisquei,  inclusive sozinha, em locais que não fazem parte do circuito tradicional de quem vem aqui. Estes são, para mm, momentos de uma felicidade indescritível. Fiz questão de ir ao Bronx e ao Brooklyn, ver um pouco o outro lado da cidade. 

Sobre os museus, havia momentos em que dava tristeza, pois faltava tempo e perna para ver tudo. Só no Metropolitan são cem mil pecas expostas, o que necessitaria de muito, muito  tempo. No dia em que estive no Museu de Arte Moderna, perto do final da tarde entreguei os pontos. Estava embriagada com tanta beleza e tive receio de sofrer uma overdose. Fui então levada pela minha professora para conhecer o melhor chocolate quente da cidade. Fechamento perfeito para seis tardes culturais que partilhamos durante a minha estada.

Por opcao, não estive em nenhum shopping ou outlet. Mas comprei nas lojinhas dos museus, que adoro, e em uma loja com roupas mais criativas e artesanais. Com tanta vida correndo la fora, como eu poderia me enfurnar em lojas? Concordo que a diferença de preços existe e e bem representativa, mas não foi esta a minha prioridade.

Valeu esperar tanto tempo, valeu vir do jeito que vim. Tudo valeu.




terça-feira, 10 de abril de 2012

Sobre o curso e os colegas

Quando decidi que viria aos Estados Unidos, de cara pensei em fazer um curso de inglês, mesmo que fosse de curta duracao. Já tinha vivido esta experiência na Inglaterra e gostado muito. Assim, quando vi numa revista de viagens que existia curso de idiomas para pessoas maiores de cinquenta, me animei logo. Comecei os preparativos cada vez mais animada para não só conhecer o pais como também, para fazer novas amizades. 
Só que ao chegar aqui, a diretora da escola me avisou consternada que não haveria outras pessoas da minha idade, pois não houve inscricao. Ela acredita que este publico só agora esta despertando para esta possibilidade de unir turismo e educacao. Sendo assim, eu fiquei numa turma de jovens, mas ao contrario da minha experiência inglesa, aqui eles são bem interessados e participativos. As aulas são dinâmicas e bem gostosas. O simples fato de estar numa sala com pessoas da Rússia, Japão, Arabia Saudita, Corea, Venezuela, Colômbia, Alemanha, já e em si, uma fonte de aprendizado.

 E como minhas aulas são apenas na parte da manha e que pelo contrato eu teria direito a atividades culturais na parte da tarde, a solucao encontrada foi colocar uma professora a minha disposicao para passeios onde eu escolher. Pois e, aulas particulares de trés horas todas as tardes, nos mais interessantes locais desta cidade.

Não tenho do que me queixar.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Pequenas vitorias, grandes alegrias

Desde o dia em que aqui cheguei, tenho procurado aprender com tudo: com os desafios, com as pessoas, com as situacoes. Minha ideia era vir para cá num formato diferente do habitual, na verdade do jeito que eu gosto. Conhecendo pessoas e lugares, me virando, enfim, vivendo uma historia.

Claro que sem as pessoas a historia ficaria incompleta e logo no meu primeiro dia de aula, com a tarde livre, la fui eu, em busca dessas historias.
Andei muito, alias, e o que mais faco aqui. Como não conhecia nada, tudo me atrai. Então, sai da escola, que fica na Canal Street e seguindo o conselho do Diretor, não peguei trem nenhum, fui a pé mesmo.

Tentei chegar a Chinatown, que fica, pelo mapa, bem pertinho, mas como meu senso de localizacao e quase zero, apelei para o meu ponto forte: Perguntar. Nesta de perguntar,encontrei um japonês perdido como eu e juntos fomos em busca de informaacoes. Conseguimos chegar ao nosso destino e, claro, eu não poderia deixar de pedir a ele para tirar uma foto minha na entrada do Bairro. Como qualquer japonês, foi simpático e tirou uma linda foto. Nos despedimos e la fui eu.

Minhas unhas estavam horrorosas, nem esteticamente, mas também elas estavam ressecadas e quebradiças. Eu já tinha percebido que aqui os salões não necessariamente cuidam de cabelos e unhas. Geralmente e um salão para cada coisa. Eu estava em Chinatown, e passei por uma infinidade de pequenos salões que ofereciam manicure, pedicure e massagem. Nem pensar em tirar, bota, meia1, meia2 para cuidar dos pés. Perguntei se poderia só fazer a mão e a simpática atendente concordou. Entrei.
La dentro, musica oriental bem suave e uma serie de mesas de manicures. Entendi que a mesmo que me atendeu na porta faria minhas unhas. Qual não foi minha surpresa quando la de dentro vem um chines alto, magro e muito serio que em seguida ocupa o lugar na minha frente.
Fiquei muito surpresa, afinal,  pelo menos para mim, não e comum encontrar homens manicures. Bem, mas ele começou com aquela meticulosidade oriental examinando unha por unha. Depois, lixou, tirou cutícula, passou escovinha e então veio o melhor: Com uma daquelas toalhas brancas mergulhadas na agua quente, como nos restaurantes japoneses, ele envolveu minhas mãos depois de passar um creme com aroma delicioso. Então começou uma massagem. Não da pra explicar a sensacao, mas mesmo sendo apenas nas mãos, senti meu corpo inteiro relaxar, inclusive os ombros, local onde acumulo todas as tensões.
Eu estava quase dormindo quando ele enxugou minhas mãos e passou para a etapa final, a pintura das unhas. Que perfeicão, ele praticamente não precisa usar acetona depois, tal o cuidado.

Ele era  muito reservado, só consegui descobrir que ele e a esposa mudaram para Nova York há um ano e meio e desde então trabalham com unhas. E um bom negocio, são diversos salões e há muita procura.
Sai de la bem mais leve. São essas pequenas descobertas que fazem uma viagem valer a pena. Pelo menos para mim.  Ainda rodei muito pelo bairro, que lembra em muito o da Liberdade em São Paulo. Eu já havia almoçado, mas fiquei  bem tentada pelos restaurantes vietnamitas. Depois segui para a Little Italy, o bairro italiano cheio de lojinhas e restaurantes. Muito legal e animado.
Depois desta peregrinacao, ainda encontrei energia para pegar o ferry gratuito para a Estatua da Liberdade. Fica num local muito bonito, cheio de gente de toda parte. Fiz o passeio, ainda tirei uma foto com uma estatua viva e depois segui para Wall Street. Foto com o búfalo, claro.

Não foi a toa que quando enfim me deitei para dormir estava exausta. Olhando no mapa, mal pude acreditar que tinha andado tanto. Fazer o que, se aqui há tanto o que ver e fazer? Tenho comemorado cada pequena vitoria, por menor que ela seja: Chegar sozinha a algum lugar de metro, conseguir encontra as coisas aqui na casa de Remie, me comunicar de forma eficiente com as pessoas , não as da escola, mas os nativos. Essas pequenas vitorias se transformam em grandes alegrias e me estimulam a seguir em frente.
Vamos adiante!




domingo, 1 de abril de 2012

Pessoas e anjos: Os desafios da chegada

Uma vez decidida a enfim conhecer os Estados Unidos, minha primeira atitude foi dar uma turbinada no meu inglês. Afinal, de acordo com o objetivo com que se viaja, um conhecimento básico da língua faz muita diferença.

Comecei a estudar inglês aos nove anos, pois meu pai, sabiamente, acreditava que o conhecimento dessa língua faria muita diferença no futuro. Assim, aos quinze, eu concluía meu curso na ACBEU, em Salvador. Depois e ao longo dos anos, fui fazendo um curso aqui, outro ali, mas praticar, falar, sempre ficava prejudicado. Então, fiz meu primeiro intercâmbio, num curso de inglês em Oxford, na Inglaterra. Considero a experiência extremamente produtiva, pois fui muito bem acolhida por um casal extremamente simpático que me hospedou e porque numa  ou você fala, ou você fala.
Bem, depois dessa experiência, mesmo tendo praticado pouco ao voltar, meu inglês foi sempre útil em outras viagens ao exterior, pois inglês, se fala praticamente em todos os lugares. Quando decidi vir para os States, não tive duvidas, teria que dar uma reforçada. As aulas com Gabi foram decisivas, pois, quem viaja sozinha tem que saber se virar. E como eu tive!
Bem, o voo Brasília Miami já saiu atrasado, o que meu deixou preocupada, já que o tempo entre a chegada e a conexão era bem estreito. Ao chegar na imigracao, já em Miami, o pesadelo começou: Filas enormes, atendentes mal humorados, um caos total. Poxa, mas eles, que são o máximo, não sabem nem organizar a nossa entrada no pais?
Inutilmente mostrei meu bilhete e o horário da conexão. O policial deu de ombros: "Se perder este, pega outro..."
Enfim, chegou a minha vez: Respondi a todas as perguntas, mostrei o recibo, endereço do curso e endereço de quem me hospedaria, foto dos quatro dedos da mão direita, polegar direito, quatro dedos da mão esquerda, polegar esquerdo, foto do rosto e vamos la, correndo pegar a mala para reembarcar com destino a Nova York. Tudo bem, mas a mala demorou....horrores.
Nesta hora, eu já estava mentalizando meu mantra, de que ao final, tudo daria certo, No balcão da AA, a antipaticissima atendente reclamou que eu acabava de perder meu voo. Respondi que as filas eram imensas, que eu acreditava que muitas pessoas haviam perdido o voo. Então, se o meu voo sairia as 18h ela me remanejou para outro...as 21h.
Mil coisas passaram pela minha cabeça. A primeira, nem deixei que se assentasse; "Odeio este pais e este povo". Nem pensar, OK Vânia? Como todas as vezes que saio de casa para uma viagem, saio para ser feliz, desta vez não sera diferente. No final vai dar certo, tem que dar e pronto.
Primeira questão: Eu tinha pago pelo curso um determinado valor para que houvesse alguem me esperando no aeroporto na chegada para me conduzir ate a casa que me hospedaria. De acordo com as normas do contrato, eles aguardam ate duas horas apos o horário previsto, qualquer mudança alem disso, teria que ser avisada, caso contrario, eu perderia o transfer.
Então, eu precisava ligar, com urgência. Vamos la, comprar um cartão telefônico. Onde? Na cafeteria não havia mais, mas eu poderia comprar na banca de revistas. Num aeroporto imenso como o de Miami, andar da cafeteria ate a banca leva tempo, muito tempo. Comprei, raspei no verso a parte da senha e comecei a ligar. Nada. Eu já havia usado este tipo de cartão em outras viagens, mas agora não estava dando certo. Ou era a senha, ou era o código nada funcionava. Respirei uma, duas, trés vezes. Reconheci então, que eu precisava de ajuda.Onde?
Fui para o balcão da AA e perguntei a um lindíssimo atendente com pinta de gala como eu usar o cartão, já que nada funcionava. Ele olhou para o cartão e riu com desdem, dizendo que nunca havia usado um daqueles. Respira, respira, respira.
Eu estava usando o telefone publico que ficava num embarque, o mesmo de onde eu embarcaria três horas depois. No momento, eles organizavam o embarque para a Republica Dominicana. Então, decido me aproximar de um rapaz negro, alto, que ali aguardava. Como e de praxe, pedi desculpas, expliquei minha situacao e pedi que ele me orientasse a usar o telefone publico. Ele me olhou serio, abriu uma pastinha e de la saiu um celular ultra mega moderno. Dali ele discou o numero da escola , passou para mim e me disse que não tivesse pressa. Fiquei perplexa.
Falei, expliquei que o numero do voo agora era outro e que o horário também. Consegui, consegui, consegui, que alivio. Agradeci emocionada a este anjo que agora embarcava e que naquele momento, acabava de salvar minha vida. Lembrei então que havia outra pessoa me esperando, a dona da casa. Não era justo a coitada ficar la, preocupada sem saber do atraso. E agora?
No telefone ao lado, havia uma moca que parecia ter vindo do Pelourinho. Exuberante, batom vermelhissimo, uma alegria só. Aproximei-me dela e contei minha historia. Sorrindo, ela tentou varias vezes fazer com que meu cartão telefônico funcionasse. Nada. Então, ela abriu a bolsa, tirou varias moedas ( o aparelho aceitava) e conseguiu fazer a ligacao. Deixei recado na secretaria eletrônica de Remie, avisando do meu atraso e que eu já havia avisado a escola. Ufa! Dei um abraco neste outro anjo que cruzou o meu caminho. Ela me desejou boa viagem e para minha surpresa, repetiu meu mantra: "Tudo vai dar certo!"
Bem, eu acreditava que tudo estava resolvido. Só que, trés horas depois, todos embarcados, somos avisados de que haviam descoberto um buraco no avião, e que teríamos que ser remanejados para outra aeronave.
Eu tinha decidido que nada tiraria meu bom humor, eram dez da noite, eu estava nesta maratona desde as nove da manha, sem previsão de chegada. Tratei de me distrair, conversar com um e com outro, comer alguma coisa, afinal, o voo serviria apenas bebidas, e os alimentos deveriam ser pagos.
Enfim, decolamos, eu já havia tirado o relógio, para evitar um stress sobre uma coisa sobre a qual eu não tinha poder algum. Ao chegar, tudo que eu queria era encontrar alguem com uma placa com meu nome, naquela madrugada gelada e chuvosa de Nova York.

Então, nem bem cheguei a pegar a mala,  e la estava um cara altíssimo, com um pesado sobretudo e um papel de oficio onde se lia numa linha: Vânia Lúcia e na outra linha : Dias Rebelo. Cheguei pulando de alegria, me identifiquei. Ele perguntou se eu era Vânia Lúcia. Sim, era. "E onde esta Dias Rebelo?" Tive que rir, ele não entendia. Afinal, para ele Vânia Lúcia era uma pessoa e Dias Rebelo outra.
Mas vamos embora, são quase três da manha, madrugada gelada e chove la fora.
Ele pede para que eu aguarde na entrada do estacionamento, que ele traria o carro. Aguardo. Parece que a "cidade que nunca dorme" deu um cochilo, pois alem de nos, não há mais ninguém e fico ali sozinha, absolutamente sozinha por uns dez minutos, aliviada por ter enfim chegado.
Quando o carro se aproxima, mal posso acreditar. O motorista abre a porta da limousine e entro, absolutamente perplexa. Pergunto a ele se a escola costuma buscar todos os alunos num carro como aquele e ele responde que não, inclusive que para ele e também a primeira vez. Suspiro.
Há cinco anos, quando cheguei em Brasília para morar, meus amigos foram me buscar numa limousine alugada. Foi o inicio de uma etapa muito feliz da minha vida.
Depois de tantos percalços, ao me ver de novo num limousine, só posso entender como uma forma do Universo me dizer que aqui também, serei muito feliz.
E pronto!