sábado, 28 de janeiro de 2012

Primeiros dias


O ano começou em ritmo acelerado. Chegando de Salvador, engatei duas viagens.

Aracaju, para ver a filha de uma amiga querida subir ao altar. Da grande festa, me marcou a emoção da mãe da noiva, incansável de um lado para outro, preocupada com todos os detalhes.

Uma semana depois, em São Paulo,  partilhei com outra amiga a doce espera da primeira filha. Num intervalo tão curto entre os dois eventos, pensei: O que o futuro reservará para a pequena Alice, que em breve dormirá cercada dos pais amorosos no seu quarto lilás?

Na volta, já encontro meu sobrinho do coração, descobrindo Brasília e outras formas de viver. Aos vinte e cinco, são tantas as descobertas: Festas, baladas, pegadas, noitadas.

Venho exercitando a flexibilidade, afinal, nem tudo que se planeja acaba dando certo. Sai de Salvador com alguns planos que na roda da vida já mudei. Novos sonhos e estudos, novas formas de olhar. O mundo, cada vez mais me atrai, malas sempre a postos.

No trabalho, chegadas e partidas. Em cinco anos, tantos já se foram...

Observo em mim algumas mudanças. Há coisas de que já não gosto.
Outras, passei a respeitar.
Nem sempre reconheço no espelho a mulher que agora sou.
Mas passado o estranhamento, sinto por ela um grande carinho.
Afinal, ela nunca me deixa na mão.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Vale a pena ler de novo


Todos nós já lemos este texto. Assim como o Peru, o Tender e o CD de Simone, ele reaparece a cada mês de dezembro para nos lembrar que tudo depende do nosso empenho e merecimento.
Compartilho por achar que diferente dos produtos citados, um texto de Drummond não tem prazo de validade e pode ser consumido sem receios sempre que a alma e o coração pedirem. Bom apetite!


Receita de Ano Novo
Para você ganhar um belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens? passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções

para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Texto extraido do "Jornal do Brasil", Dezembro/1997.