domingo, 3 de março de 2013

A Bula do apocalipse

Quando antigamente alguém queria se referir a uma pessoa que lia muito, dizia que a dita cuja lia “até bula de remédio”. Pois é, eu sou dessas.
Durante a gripe da qual começo a me despedir sem saudades, fui ao médico que conforme o costume receitou um remédio. Caríssimo, por sinal. Mas a garantia de melhora rápida me fez comprá-lo, revoltada pela inexistência de um genérico. ...Infelizmente, chás, mel e outras receitas caseiras não são suficientes para curar minhas gripes. Nem os remédios que compramos sem receitas nas farmácias. Tenho que tomar antibiótico mesmo.
Bem, eu estava tão mal, mas tão mal, que nem me passou pela cabeça ler a bula, o que seria meu procedimento habitual. Almocei, seguindo as orientações do médico e tomei o dito cujo. Nem trinta minutos se passaram, e veio tudo de vez: enjoo, boca seca, dor de estômago, tontura, um horror. Só aí fui ler a bula. E que bula!
O texto começa de forma suave: “O medicamento pode provocar reações adversas como dor de cabeça, tontura, distúrbio cardio vascular, vômitos, dores abdominais e diarreias”.
Ufa, quer dizer que eu ainda estava no lucro...
Bem, mas a bula prossegue: “Em casos raros, reações anafiláticas podem ocorrer, até o choque, potencialmente letal após a primeira administração”.
Socorro! Medo! Pânico!
Aí, a bula me ameaça: “A interrupção do tratamento antes do prazo recomendado provocará a piora da doença”.
Help!
Bem, mas aí foi dando um sono, um sono e apaguei total. Quando acordei, surpresa! Estava viva e me sentindo um pouco melhor.
Passados três dias, cá estou quase boa, feliz por ter sobrevivido. Para quem quer viver fortes emoções, é só passar na farmácia mais próxima e comprar um “Avalox”.