domingo, 1 de abril de 2012

Pessoas e anjos: Os desafios da chegada

Uma vez decidida a enfim conhecer os Estados Unidos, minha primeira atitude foi dar uma turbinada no meu inglês. Afinal, de acordo com o objetivo com que se viaja, um conhecimento básico da língua faz muita diferença.

Comecei a estudar inglês aos nove anos, pois meu pai, sabiamente, acreditava que o conhecimento dessa língua faria muita diferença no futuro. Assim, aos quinze, eu concluía meu curso na ACBEU, em Salvador. Depois e ao longo dos anos, fui fazendo um curso aqui, outro ali, mas praticar, falar, sempre ficava prejudicado. Então, fiz meu primeiro intercâmbio, num curso de inglês em Oxford, na Inglaterra. Considero a experiência extremamente produtiva, pois fui muito bem acolhida por um casal extremamente simpático que me hospedou e porque numa  ou você fala, ou você fala.
Bem, depois dessa experiência, mesmo tendo praticado pouco ao voltar, meu inglês foi sempre útil em outras viagens ao exterior, pois inglês, se fala praticamente em todos os lugares. Quando decidi vir para os States, não tive duvidas, teria que dar uma reforçada. As aulas com Gabi foram decisivas, pois, quem viaja sozinha tem que saber se virar. E como eu tive!
Bem, o voo Brasília Miami já saiu atrasado, o que meu deixou preocupada, já que o tempo entre a chegada e a conexão era bem estreito. Ao chegar na imigracao, já em Miami, o pesadelo começou: Filas enormes, atendentes mal humorados, um caos total. Poxa, mas eles, que são o máximo, não sabem nem organizar a nossa entrada no pais?
Inutilmente mostrei meu bilhete e o horário da conexão. O policial deu de ombros: "Se perder este, pega outro..."
Enfim, chegou a minha vez: Respondi a todas as perguntas, mostrei o recibo, endereço do curso e endereço de quem me hospedaria, foto dos quatro dedos da mão direita, polegar direito, quatro dedos da mão esquerda, polegar esquerdo, foto do rosto e vamos la, correndo pegar a mala para reembarcar com destino a Nova York. Tudo bem, mas a mala demorou....horrores.
Nesta hora, eu já estava mentalizando meu mantra, de que ao final, tudo daria certo, No balcão da AA, a antipaticissima atendente reclamou que eu acabava de perder meu voo. Respondi que as filas eram imensas, que eu acreditava que muitas pessoas haviam perdido o voo. Então, se o meu voo sairia as 18h ela me remanejou para outro...as 21h.
Mil coisas passaram pela minha cabeça. A primeira, nem deixei que se assentasse; "Odeio este pais e este povo". Nem pensar, OK Vânia? Como todas as vezes que saio de casa para uma viagem, saio para ser feliz, desta vez não sera diferente. No final vai dar certo, tem que dar e pronto.
Primeira questão: Eu tinha pago pelo curso um determinado valor para que houvesse alguem me esperando no aeroporto na chegada para me conduzir ate a casa que me hospedaria. De acordo com as normas do contrato, eles aguardam ate duas horas apos o horário previsto, qualquer mudança alem disso, teria que ser avisada, caso contrario, eu perderia o transfer.
Então, eu precisava ligar, com urgência. Vamos la, comprar um cartão telefônico. Onde? Na cafeteria não havia mais, mas eu poderia comprar na banca de revistas. Num aeroporto imenso como o de Miami, andar da cafeteria ate a banca leva tempo, muito tempo. Comprei, raspei no verso a parte da senha e comecei a ligar. Nada. Eu já havia usado este tipo de cartão em outras viagens, mas agora não estava dando certo. Ou era a senha, ou era o código nada funcionava. Respirei uma, duas, trés vezes. Reconheci então, que eu precisava de ajuda.Onde?
Fui para o balcão da AA e perguntei a um lindíssimo atendente com pinta de gala como eu usar o cartão, já que nada funcionava. Ele olhou para o cartão e riu com desdem, dizendo que nunca havia usado um daqueles. Respira, respira, respira.
Eu estava usando o telefone publico que ficava num embarque, o mesmo de onde eu embarcaria três horas depois. No momento, eles organizavam o embarque para a Republica Dominicana. Então, decido me aproximar de um rapaz negro, alto, que ali aguardava. Como e de praxe, pedi desculpas, expliquei minha situacao e pedi que ele me orientasse a usar o telefone publico. Ele me olhou serio, abriu uma pastinha e de la saiu um celular ultra mega moderno. Dali ele discou o numero da escola , passou para mim e me disse que não tivesse pressa. Fiquei perplexa.
Falei, expliquei que o numero do voo agora era outro e que o horário também. Consegui, consegui, consegui, que alivio. Agradeci emocionada a este anjo que agora embarcava e que naquele momento, acabava de salvar minha vida. Lembrei então que havia outra pessoa me esperando, a dona da casa. Não era justo a coitada ficar la, preocupada sem saber do atraso. E agora?
No telefone ao lado, havia uma moca que parecia ter vindo do Pelourinho. Exuberante, batom vermelhissimo, uma alegria só. Aproximei-me dela e contei minha historia. Sorrindo, ela tentou varias vezes fazer com que meu cartão telefônico funcionasse. Nada. Então, ela abriu a bolsa, tirou varias moedas ( o aparelho aceitava) e conseguiu fazer a ligacao. Deixei recado na secretaria eletrônica de Remie, avisando do meu atraso e que eu já havia avisado a escola. Ufa! Dei um abraco neste outro anjo que cruzou o meu caminho. Ela me desejou boa viagem e para minha surpresa, repetiu meu mantra: "Tudo vai dar certo!"
Bem, eu acreditava que tudo estava resolvido. Só que, trés horas depois, todos embarcados, somos avisados de que haviam descoberto um buraco no avião, e que teríamos que ser remanejados para outra aeronave.
Eu tinha decidido que nada tiraria meu bom humor, eram dez da noite, eu estava nesta maratona desde as nove da manha, sem previsão de chegada. Tratei de me distrair, conversar com um e com outro, comer alguma coisa, afinal, o voo serviria apenas bebidas, e os alimentos deveriam ser pagos.
Enfim, decolamos, eu já havia tirado o relógio, para evitar um stress sobre uma coisa sobre a qual eu não tinha poder algum. Ao chegar, tudo que eu queria era encontrar alguem com uma placa com meu nome, naquela madrugada gelada e chuvosa de Nova York.

Então, nem bem cheguei a pegar a mala,  e la estava um cara altíssimo, com um pesado sobretudo e um papel de oficio onde se lia numa linha: Vânia Lúcia e na outra linha : Dias Rebelo. Cheguei pulando de alegria, me identifiquei. Ele perguntou se eu era Vânia Lúcia. Sim, era. "E onde esta Dias Rebelo?" Tive que rir, ele não entendia. Afinal, para ele Vânia Lúcia era uma pessoa e Dias Rebelo outra.
Mas vamos embora, são quase três da manha, madrugada gelada e chove la fora.
Ele pede para que eu aguarde na entrada do estacionamento, que ele traria o carro. Aguardo. Parece que a "cidade que nunca dorme" deu um cochilo, pois alem de nos, não há mais ninguém e fico ali sozinha, absolutamente sozinha por uns dez minutos, aliviada por ter enfim chegado.
Quando o carro se aproxima, mal posso acreditar. O motorista abre a porta da limousine e entro, absolutamente perplexa. Pergunto a ele se a escola costuma buscar todos os alunos num carro como aquele e ele responde que não, inclusive que para ele e também a primeira vez. Suspiro.
Há cinco anos, quando cheguei em Brasília para morar, meus amigos foram me buscar numa limousine alugada. Foi o inicio de uma etapa muito feliz da minha vida.
Depois de tantos percalços, ao me ver de novo num limousine, só posso entender como uma forma do Universo me dizer que aqui também, serei muito feliz.
E pronto!

6 comentários:

  1. Adorei! Curta muito a sua viagem! Tudo vai dar certo, tenho certeza! bj

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  2. Hehe. Agora que passou, divirta-se com a história! Bjos. Rei.

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  3. Realmente a lumousine deve ser um código secreto do Universo para te dizer: TUDO VAI DAR CERTO.
    Que bom que existem no mundo anjos e que eles sempre aparecem em nossas vidas.
    Aproveite a viagem e seja feliz....
    Beijos

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  4. Força Vania!! Vai dar tudo certo!!! Sem emoção nos EUA não tem graça!!!! Beijossss

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  5. Vania!!!Quer casar comigo?

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