sexta-feira, 18 de junho de 2010

Segredos




Trago comigo uma caixa. Ela permanece fechada, só de vez em quando a abro e lanço sobre aquele espaço alguma luz.


Sempre fui a confidente. As pessoas me escolhem para contar seus segredos e coisas de suas vidas. Ainda muito nova percebi a enorme responsabilidade que isso acarreta. Um segredo revelado pode dar problema, pode trazer dores, mágoas, lágrimas. Aí desenvolvi uma estratégia: ouvia e me programava para esquecer logo mais. Assim, nem corria o risco de ter vontade de revelar, nem ele, o segredo, se doloroso fosse, me doeria. Só que nem sempre funciona.


Tem segredo que te absorve, a pessoa vai embora e ele fica ali, girando, girando. Tem segredo que te ajuda a entender o mundo, as pessoas. Aquela coisa que “eu nunca faria” serve para me mostrar que as pessoas são diferentes, e nem sempre o que acho certo é certo para o outro. Os segredos que envolvem muitas pessoas nos mostram como funcionam os grupos, sua dinâmica e movimentos. Os segredos de amor nos fazem sonhar, trazendo a situação para a nossa vida. Tem segredo que te revolta, mas é necessário saber que além de inútil, a demonstração da revolta pode desviar o foco do conteúdo que está sendo contado. Geralmente quem conta um segredo busca um ouvido, um ombro e após a narrativa sai mais leve, relaxado.

Prima próxima do segredo, a confidência não acarreta necessariamente um problema se revelada, apenas, o de mostrar que você não era dela merecedora. Gosto muito das confidências. Sou capaz de passar horas a fio calada, ouvindo, percebendo as mudanças na expressão da face e no tom de voz de pessoa que me entrega em confiança pedaços de sua vida. E essas narrativas acontecem nos locais mais diversos: são motoristas de taxi que contam suas dores familiares, é uma manicure que me revela um segredo conjugal, pessoas que conheço e em pouco tempo me entregam preciosidades, histórias mais bonitas que a ficção. Cada vez mais me convenço que a vida real é mesmo a melhor de todas as histórias.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

O prazer de ficar em casa



Não me considero uma pessoa caseira, muito pelo contrário. Nisso, puxei a minha mãe, que está sempre disposta a encarar qualquer convite que surja. Mas depois que mudei para Brasília e passei a morar sozinha de fato, passei a dar mais valor às oportunidades de estar quietinha, no aconchego do meu pequeno lar.

Após um final de semana numa cidade mais fria, aliás, muito fria, minha garganta chegou aqui em pandarecos. Trabalhei na segunda meio mole, na terça, dia do jogo do Brasil, tudo que eu queria era torcer pela seleção embrulhada em vários cobertores, com uma xícara de chá, um bom livro...

No dia seguinte, ao me examinar, o médico achou por bem me conceder uma licença de três dias, o que me permitiu um descanso maior e planejado. Sempre que fico em casa me planejo para atualizar minhas leituras, só que nem sempre a natureza da licença o permite. Desta vez, pelo menos durante o dia consegui ler alguma coisa, entre uma cochilada e outra, fruto da medicação. Ando interessada em livros voltados para a leitura e a escrita. Por exemplo, O ofício do contador de histórias, Técnicas para escrever ficção, A psicanálise dos contos de fadas, entre outros. As histórias vem aflorando, vejo cenas na minha mente e tenho procurado transformá-las em textos. Fiquei feliz por ter conseguido dar forma a uma pequena história infantil. Apesar de a cada leitura eu acabar mudando uma coisa aqui e outra ali, a história tem uma linha, um fio. E quer saber? Eu gosto dela.



domingo, 6 de junho de 2010

A abobrinha e eu

Nunca gostei muito de abobrinha, achava que não acrescentava nada aos pratos,  era muita água e pouco gosto. Isso começou a mudar quando provei a deliciosa lasanha de abobrinha do restaurante Govinda nos Barris, em Salvador. Não se trata de substituir a massa pela abobrinha, como se faz com a lasanha de beringela. A abobrinha entra em fatias como recheio junto com o queijo e o molho e não decepciona. No meu momento atual estou em fase de lua-de-mel com a cozinha, pois todos os dias preparo e levo meu almoço para o trabalho. Não sou vegetariana, mas a cada dia como menos carne,  o que me  tem levado a descobrir possibilidades inéditas nos legumes. Apesar de ter em casa um bom arsenal de receitas, o que eu gosto mesmo é de inventar. Hoje, domingo preguiçoso, a geladeira em baixa, pedindo compras, lá fui eu. Poucas opções: cebola, tomate, abobrinha. Ideia! Vou fazer um risoto. Então refoguei algumas fatias fininhas de cebola roxa, duas colheres de sopa do Pesto que veio da Itália, alho picadinho e ...uma abobrinha inteira ralada no ralo grosso. Refoguei, refoguei, quando estava douradinha coloquei o arroz e refoguei, refoguei de novo. Depois, água quente para cozinhar e meio tablete de caldo de legumes.Depois de pronto, uma colherinha de queijo ralado, tomates cereja com azeite de oliva, vinagre e sal....Delícia!
Outra forma de usar a abobrinha é crua. Sim, ralada no ralo grosso como se faz com a cenoura, a beterraba, a abóbora, a batata doce. Basta caprichar no  molho: eu misturo queijo cottage com uma colherinha de maionese light, salsinha e um pouco de casca de limão ralada. Se tiver carambolas em casa corte em fatias e enfeite a salada, fica lindo,delicioso e absolutamente original.