domingo, 2 de outubro de 2011

Detalhes tão pequenos de um Rei

Se há uns três anos alguém me convidasse para um show de Roberto Carlos, eu, que sou uma lady, educadamente declinaria, mas por dentro ficaria pensando: Que ideia, onde já se viu? Não já basta o especial "Chester", que todo Natal tem que ter? Nem pensar!
Só que o tempo passa...

Fui uma criança que viveu intensamente a Jovem Guarda. Nos programas da nossa TV preto e branco víamos encantados os artistas da época e lembro de ter completado um álbum com figurinhas de todos eles. Copiávamos o estilo de Wanderléia, dançávamos ao som de Renato e seus Blue Caps, curtíamos os Golden Boys e o Trio Esperança, além de acompanhar a disputa entre Jerry Adriani e Wanderley Cardoso. Mas nenhum dos cantores tinha o carisma de Roberto Carlos.

Lançado no mercado num momento em que os jovens começavam a ditar comportamentos, e que uma grande  gravadora viu nele potencial para se tornar um superstar, ele e seu amigo Erasmo Carlos compuseram canções inesquecíveis.Entre elas, O Calhambeque, Festa de Arromba, Eu te darei o Céu, Quando, entre outras. Tímido, mas desde sempre dotado de um charme especial aliado à imagem de bom moço, sua aparição deixava as fãs enlouquecidas. Os filmes Roberto Carlos em Ritmo de Aventura e O  Diamante Cor de Rosa levaram milhares de pessoas aos cinemas. Em seu livro Noites Tropicais, onde traça um panorama da MPB, da Bossa Nova ao surgimento dos sertanejos, Nelson Motta afirma que,  nos anos 60:

   " O Brasil inteiro, dos vovôs aos netinhos, e da classe A a Z, cantou Quero que Vá Tudo pro Inferno e, mesmo entre as novas gerações mais sofisticadas e politizadas, que torciam o nariz para a Jovem Guarda simplória e alienada, Roberto começou a ganhar admiradores. E, principalmente, admiradoras. Nas mesas dos bares de Ipanema, a princípio timidamente, mas depois com entusiasmo, simpatizantes ofereciam teses, interpretações e leituras políticas para a música e seu sucesso: o desejo reprimido do povo de mandar os militares para o inferno, uma mensagem cifrada de rebeldia, metaforizada para escapar da censura. Ou a interpretação sexual de "me aqueça neste inverno" como slogan libertário. Tudo pretexto para gostar de Roberto Carlos sem parecer simplório ou alienado. Mesmo entre os músicos, onde ainda era considerado vulgar e superficial, Roberto começava a ser reconhecido pela doçura de seu timbre, por sua afinação, pela precisão de seu fraseado e pelo inegável charme com que cantava. Afinal, ele tinha começado imitando João Gilberto, argumentavam jovens sofisticados, já atraídos irresistivelmente pelo charme de Roberto Carlos. Como o Brasil inteiro."
   
Com a chegada da adolescência e da rebeldia, conheci outros estilos musicais e Roberto Carlos passou a ser uma referência do passado. Ainda gostava das músicas da Jovem Guarda e algumas clássicas como Detalhes, Como é Grande o Meu Amor por Você e O Portão, que até hoje vivo cantarolando: Eu voltei, agora pra ficar, porque aqui, aqui é meu lugar.  Não gostava dos especiais de fim de ano pois os achava repetitivos e previsíveis e também não fui solidária com a sua defesa das baleias, das mulheres de óculos ou das pequenas. Resumindo, não curtia mais mesmo. Até que um fato nos reaproximou.

Após decidir que comemoraria meus cinquenta anos em Salvador, comecei a pensar nos detalhes. Eu queria um slogan para o convite, uma frase que retratasse meu sentimento e o que foram estes cinquenta anos para mim. Procurei nos meus livros textos, poemas, frases de efeito. Pensei em escrever, mas nada me agradava. Um dia, num taxi, presa num engarrafamento, o motorista liga o rádio, e sem autorização, Roberto Carlos entra de novo na minha vida:

Em paz com a vida, e o que ela me trás,
 a fé que me faz,
otimista demais,
se chorei ou se sorri,
o importante é que emoções eu vivi...

Não havia mais o que pensar! Cheguei em casa e esbocei todo o roteiro da festa. Ao final da minha performance, o músico tocaria Emoções, nos daríamos as mãos e depois seria cantado o Parabéns pra você.

 No dia da festa, quando Emoções foi tocada e cantada pelos mais ou menos cento e vinte convidados, uma colega, Zilnai, teve a linda ideia de que todos pegassem as rosas brancas que enfeitavam as mesas e me entregassem. E assim foi feito. Ali, vivendo aquele que foi para mim um "momento lindo", Roberto Carlos estava de volta. 

Dois anos depois, surge a oportunidade de ir pela primeira vez a um show dele. Ainda relutei, achei caro, depois coloquei dificuldades para ir comprar o ingresso, mas tudo conspirou a meu favor. Pela primeira vez teria a oportunidade de ver ao vivo este senhor, que aos setenta anos ainda provoca frenesi aonde quer que vá. Pelo significado especial que a música adquiriu para mim, estava preparadíssima para chorar quando ele cantasse Emoções.

Minha amiga e eu chegamos cedo, o estádio aos poucos vai lotando. Pelo que soubemos depois, havia ali gente de toda parte,  inclusive pessoas que viajaram com este objetivo para Brasília. Plateia predominantemente feminina, além de vários casais. Quase uma hora de atraso, o púbico aplaude, assobia, bate palmas. A orquestra entra, começa um show de luzes. Mesmo só com a banda, a plateia já canta junto. Então, Roberto Carlos chega e o ginásio enlouquece. Eu fico ali parada, imóvel. Suspense. Então ele começa:

Quando eu estou aqui,
eu vivo este momento lindo... 

Previsível? Talvez. Emocionante? Com certeza.
Ali, no meio daquela multidão, constato que mesmo tanto tempo depois,  as observações de Nelson Motta ainda fazem  sentido. A empatia é total. Simpático, ele domina totalmente a  plateia. Do alto dos seus setenta anos, ele seduz, insinua, o público vai ao delírio. No momento "Banquinho e Violão" canta Detalhes com o acompanhamento de um coral totalmente maravilhado.   Num mundo de celebridades instantâneas e de talentos esculpidos nas academias de ginástica, o Rei completa cinquenta e dois anos de carreira. Acredito que essa "realeza" de Roberto Carlos está nessa forma simples de falar sobre o amor, a vida, as perdas e ganhos de uma maneira singela e por vezes ingênua. Gerações e gerações ouviram e se emocionaram com suas canções e com fatos dolorosos de sua vida.  Todos naquele estádio conseguiriam fazer uma ligação de pelo menos uma música de Roberto Carlos com algum momento vivido. Ao se declarar um Amante a Moda Antiga, do tipo que ainda manda flores, ele mexe com o imaginário de uma grande parcela de mulheres, que num recanto bem escondido do coração ainda sonha que isso possa ser possível. E de fato é.  Pelo menos para aquelas que,  ao final do espetáculo, correram para a beira do palco para ganhar uma das disputadíssimas rosas entregues pelo cantor, num ritual muitas vezes repetido, mas nem por isso menos carinhoso.

É Roberto. Eu voltei, e agora pra ficar.  



terça-feira, 27 de setembro de 2011

Tempero astral

Ela entendia de astros, satélites e conjunções. Ele, de panelas e temperos.
Ela receitava florais. Ele preparava banquetes.
Ambos eram fãs de  rock and roll. Mas enquanto o rock era pesado, a relação fluía leve.
Hemisférios diferentes. Entre os dois, um oceano.
Aos poucos se conheciam.  Das teclas brotava a afinidade e pela rede o amor  nascia. Ela consultava os astros, traçava mapas, calculava trânsitos. Enquanto Marte se encaminhava para Aquário, ele dosava o sal e o açúcar, pensando se esta receita daria certo.
Então um dia ela sobrevoou o mar. 
Pediu a Netuno proteção, mas foram Vênus e Mercúrio que sopraram ventos favoráveis. Ele preparou com amor um bolo, cobertura doce de esperança. Júpiter entrou no signo de Touro quando enfim se encontraram. No céu a lua nova prometia renovação, e o novo enfim se deu.
Saturno confundiu papéis e documentos, mas nos mapas dos dois o destino estava selado. Com as  bênçãos de Vênus, ela cruzou de novo o oceano. Cabeça no ombro dele, ela pisca para as estrelas e sorri feliz. 
Um novo país, uma vida nova, ele suspira pensativo. Uma pitada de carinho, duas colheres de compreensão, gotas de afeto, vai ele adicionando na receita saborosa do encontro.
Noite de lua cheia, os grilos cantam enquanto na varanda da chácara um casal olha para o céu. Da cozinha vem o aroma do pão quentinho, polvilhado com amor e esperança. Envolta num xale de lã, ela volta seus olhos azuis para o céu, confiante. Plutão e Urano se aproximam, sinal de vitória certa. 


(Para minha amiga querida, torcendo para que os astros conspirem para a sua felicidade).

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

As pernas e o poder

Aconteceu há muito tempo.

Eu trabalhava numa agência e tinha muito pouca noção da hierarquia da empresa. Naquela época, as agências eram enormes, chegavam a ter mais de 200 funcionários. Meu universo era aquele. Fora do prédio antigo funcionavam estruturas para mim desconhecidas. Mas havia um funcionário que eu tinha certeza que era sim, muito importante.

Não trabalhava no nosso prédio. Homem de meia idade, aparência e fisionomia sóbrias, ele nunca chegava sozinho. Terno e gravata, sempre acompanhado de pelo menos uns três ou quatro funcionários, sua aparição na agência tinha o dom de congelar qualquer cena. As vozes se tornavam murmúrios, os cumprimentos, educados; as mesuras se sucediam, enfim, tudo passava a gravitar em torno dele. Imediatamente, da copa chegava o café, servido em xícaras de porcelana  sobre bandejas prateadas. Reunindo-se com os mandatários da agência , permanecia durante muito tempo a portas fechadas. Ao sair, novamente os sorrisos e mesuras até que ele se retirasse acompanhado de seu séquito deixando atrás de si a aura do poder.

Anos depois, a hierarquia da empresa já não era para mim um mistério. Conhecia estruturas dentro e fora do meu estado, já viajava a serviço e exercia outras atividades fora as da agência. Então num dia de pagamento de salário de funcionários, me vejo no hall da agência e percebo na fila dos aposentados uma fisionomia familiar.

Era dia de agência cheia. Os aposentados utilizavam este dia para reencontro com os amigos, atualização de fatos sobre o Banco e por que não? jogar conversa fora, agora que o tempo a eles pertencia. Mas no meio do burburinho, entre os aposentados, há um deles que não parece interessado em conversa. Impaciente, olha para todos os lados, buscando talvez um conhecido que o livre da fila, do incômodo de permanecer ali em pé, já que os colegas aposentados não aparentavam ter a menor pressa em serem atendidos.

Então, num lampejo me volta a lembrança. Dos murmúrios, do recado urgente para a copa em busca do café, dos sorrisos de cortesia. Sem terno, gravata ou séquito, usando uma camisa esporte e uma inacreditável bermuda, ele agora é um aposentado como qualquer outro. Não resisto e lanço um olhar para suas pernas. Eram pernas feias.

Observando aquele homem na fila sozinho, tentando a todo custo ser reconhecido por alguém que não chega, reflito sobre a solidão do poder. Longe do cargo, na fila, um homem comum, inclusive com um atributo comum de ter pernas feias. Que lembranças lhe povoariam a mente, enquanto inutilmente andava ao longo da fileira de Caixas buscando ajuda? Onde naquela hora repousariam as camisas impecáveis, o terno escuro e o séquito? Onde andaria o séquito?

Dobrados e guardados, na gaveta das lembranças amareladas do poder.

sábado, 27 de agosto de 2011

domingo, 21 de agosto de 2011

Na telinha da TV

Hoje me deu vontade de partilhar os filmes que marcaram minha infância. Criança de apartamento, assistia muito a filmes na TV. Alguns são até hoje referências de séries. Tão ingênuos, os efeitos especiais. Qualquer criança hoje riria daquilo que nos deixava boquiabertos.


O malvado Dr. Smith aprontava todas. O vilão era o destaque numa família boazinha demais pra ser verdade. O robô era uma figura.


Este era digamos assim, mais sério. Um belo dia porém, comecei a me questionar: Se eles viajavam pelo mundo e pelo tempo, por que nunca mudavam de roupa? Ah! Versão brasileira, AIC São Paulo. Sempre!



Maxwell Smart era um contraponto aos demais agentes secretos. Era feio, atrapalhado e só no final as coisas se resolviam. Eu adorava os artefatos que ele usava, além do "Cone do Silêncio" que ele e o chefe usavam para conversas secretas.


Dentre os super heróis Marvel, eu gostava mais de Thor e do Príncipe Namor. Programa dos sábados à tarde.


Claro que o personagem mais interessante era a mãe de Samantha, Endora. O que ela fazia é que tornava o episódio mais ou menos interessante.



Eu assistia, mas não gostava muito. Não havia muita surpresa.

Lembranças, lembranças.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Na passarela, Miss...

Amanhã será realizado o concurso de Miss Brasil.

Para a maioria das pessoas vai passar batido, afinal, além dos familiares e daqueles que realmente curtem concursos de beleza, quase ninguém mais lembra de assistir a um longo certame com direito a desfiles, trajes belos e outros nem tanto e, claro, alguns lances divertidos. Isso hoje, mas nem sempre foi assim. Houve um tempo em que os concursos de Misses tinham o poder de parar o país.

Muito cedo os concursos de Misses entraram na minha vida. Para ser mais exata, assim que eu nasci.

Ano de 1959. Pais de uma menina, meus pais aguardavam ansiosos a chegada de um menino. Num tempo em que não havia ultrassonografia, os palpites todos seguiam a linha do senso comum. Assim, meus pais escolheram um nome para o filho que segundo eles acreditavam, estava a caminho: Luiz Armando.
Bem, no dia 06 de Outubro...cheguei!

Então o que fazer? Como nasci no Hospital Português, dirigido por freiras, uma delas  perguntou a minha mãe o nome da criança. Sinceríssima como sempre, minha mãe respondeu que haviam escolhido apenas um nome masculino e só agora ela iria pensar num nome para uma menina. A freira, solícita e preocupada comigo, trouxe algumas revistas para quem sabe, dar alguma ideia de nome para a recém nascida. 

Vânia Beatriz, Miss Minas Gerais 1959
Bem, minha mãe  folheou várias revistas, até que em uma delas ela encontrou uma reportagem sobre a Miss Minas Gerais daquele ano. Ela se chamava Vânia Beatriz.

 Minha mãe gostou do "Vânia " e se deu por satisfeita. Nisso volta a freira, ansiosa pela definição. Nome anunciado, a freira balançou a cabeça, contrariada: "Mas não existe nenhuma santa com este nome! Não existe Santa Vânia! Pobrezinha da criança, não vai ter a proteção de nenhuma santa! Vai ser uma criança desprotegida!

Sem querer arcar com o ônus de tais presságios, minha mãe pegou as revistas de volta, dessa vez para encontrar um nome que combinasse com "Vânia". A freira tentou convencer minha mãe a utilizar o "Maria" , categoria Master em matéria de proteção, como segundo nome. Só que minha irmã era Maria da Graça e minha mãe não quis repetir. Depois de várias tentativas, foi escolhido o "Lúcia", nome de santa e que , prefiro acreditar, fez de mim uma pessoa feliz e protegida.

Bem, mas voltando aos concursos, lembro de um concurso de Miss que foi um verdadeiro acontecimento na Salvador da época. A Bahia e o Brasil viviam uma espécie de frustração em virtude de uma Miss Brasil muito querida ter sido preterida por um detalhe mínimo: as tais duas polegadas.

Martha Rocha
Aos 18 anos, Martha Rocha participou do concurso Miss Bahia, venceu e logo após tornou-se Miss Brasil. Em Julho de 1954, Martha chega aos Estados Unidos e pesquisas já a consideravam eleita a Miss Universo. Martha ficou em 2º lugar e diz a lenda que a perda do o título de Miss Universo para a americana Miriam Stevenson se deveu a duas polegadas a mais nos quadris. O segundo lugar lhe rendeu a  fama absoluta. Depois do concurso, Martha Rocha tornou-se referência nacional de beleza.

Apesar de não ter levado o título, Martha Rocha era um dos orgulhos da Bahia. Eis então que em 1968 outra Miss, por coincidência também Marta, uma professora de inglês, acabou trazendo para a Bahia o sonhado título de Miss Universo.

Naquela época, os concursos de Misses eram verdadeiros acontecimentos. Havia torcidas, mobilização, palpites. As transmissões via Embratel não eram ainda uma realidade e as torcidas acompanhavam todo o concurso pelo rádio. Era muita emoção. As revistas O Cruzeiro, Manchete e Fatos e Fotos faziam inúmeras reportagens sobre o tema e os comentaristas escreviam artigos louvando os dotes desta ou daquela candidata.

Nos concursos havia desfile em traje típico, traje de gala e maiô. Havia uma musiquinha, que descobri há pouco tempo chamar-se "Canção das Misses" , tema dos concursos de Miss Brasil. Marcas registradas:  Os maiôs Catalina, O Pequeno Príncipe, livro preferido de nove entre dez Misses, a figura hilária da "Mãe de Miss", criaturas sempre prontas para armar barracos em defesas de suas filhas, o parecer dos jurados , "Todas são lindas, só pode escolher uma?". Não sei se é verdade, mas vem dessa época a história de uma Miss que,  indagada sobre o seu hobby preferido, não pensou duas vezes: "Eu tenho dois, um rosa e um azul".

No ano em que Marta Vasconcelos foi eleita, lembro de ter tentado ficar acordada, junto com meus pais, que torciam colados no rádio transglobe Philco. Só que os concursos de Miss Universo eram todos realizados nos Estados Unidos, e feitas as adaptações de fuso horário, terminavam muito tarde. A uma certa altura entreguei os pontos e fui dormir, sabendo apenas que a minha conterrânea estava entre as 15 finalistas.

Marta Vasconcelos

No dia seguinte acordei e encontrei meus pais na maior alegria. Tínhamos uma Miss Universo! Na Salvador de 1968, ter uma baiana como representante da beleza máxima era muita coisa.

Lembro da chegada de Marta, que, recebida com todas as honras, desfilou em carro aberto sob uma chuva de papel picado.  Com coroa, manto e cetro, ela acenava para uma multidão que cantava uma marchinha especialmente composta para a ocasião e que tocava no rádio a toda hora:

Foi preciso outra Martinha,
sem muitas polegadas afinal,
pra trazer pra baianinha rainha,
o trono da beleza universal.

Todo o Brasil está pulando de alegria,
Martinha, Martinha da Bahia!

Algum tempo depois, a TV Itapoan divulgou o vídeo do concurso e pudemos ter acesso às imagens, principalmente do instante do anúncio do resultado. Encontrei na net este vídeo, verdadeiro mergulho no passado. Convém lembrar que assistíamos com tradução de um locutor daqui, que também emitia seus comentários. Observando esse video pode-se notar que não existia ainda a padronização da beleza, cada uma tinha seu jeito de ser, sua singularidade. Na época, a beleza tinha que ser natural mesmo, não eram admitidas cirurgias plásticas nem outros artifícios.

 O vestido usado no concurso foi exposto numa loja da principal rua do comércio de Salvador, a Av. Sete de Setembro e claro, minha mãe me levou para vê-lo. Era um fascínio,eu nunca tinha visto tanto luxo num vestido só. Algum tempo depois, a nossa Miss se casou levando para a porta da igreja centenas de pessoas.

Vera Fischer
Os concursos de Miss Brasil e Miss Universo do ano seguinte eu também acompanhei. Afinal, Miss é Miss até passar a faixa e todos queriam saber quem sucederia a nossa representante. No mesmo ano, ganhei de minha madrinha uma boneca e escolhi para seu nome o da nova Miss Brasil, uma catarinense que, nem sonhávamos na época, ainda daria muito o que falar: Vera Fischer.

O tempo passou, mudamos nós, mudaram os concursos. As top models passaram a ser o padrão ditado de beleza e os concursos de misses já não são tão atrativos. Arrisco dizer que se tornaram até meio bregas. Outro dia, passeando pelos canais de TV, descobri um concurso apresentado por Adriane Galisteu. Extremamente parecidas, e, na sua maioria adeptas do silicone, as moças desfilavam com aquele andar de modelos de passarela. Outros tempos, sem dúvida.

Volto a pensar nos concursos de outrora e me veio uma curiosidade: O que terá acontecido com aquela moça, que um dia saiu de Salvador para vencer um concurso nos Estados Unidos, desbancando moças lindas vindas de todas as partes?

Pesquiso aqui e ali e afinal encontro. O resultado me deixou muito feliz.
Como diria  o Pequeno Príncipe: “As estrelas são todas iluminadas... Será que elas brilham para que cada um possa encontrar a sua?”
Pelo que li, Marta encontrou um jeito novo de brilhar.

         MARTA VASCONCELOS Miss Universo 1968

Formou-se em Psicologia na Bahia e foi uma integrante ativa da Sociedade Brasileira de Psicanálise. Em 2000, migrou para os Estados Unidos, onde obteve mestrado em Saúde Mental e Aconselhamento pelo Cambridge College.

Hoje, a ex-Miss Universo continua bela e elegante, mas exibe garras afiadas em defesa de vítimas de violência doméstica no Estado de Massachusetts, muitas delas imigrantes brasileiras. Só este ano, ela já recebeu dois prêmios pelo trabalho que desempenha numa organização não governamental de apoio às comunidades de língua portuguesa.

“Ter sido Miss Universo será sempre um orgulho pra mim, uma massagem no meu ego. Mas o reconhecimento pelo trabalho de combate à violência doméstica tem um valor especial. É uma atividade em que, de fato, eu consigo fazer o bem para outras pessoas.”



(Fonte: Blog do Paulo Nunes)






domingo, 17 de julho de 2011

terça-feira, 28 de junho de 2011

As Meninas das Mercês

Fachada do Colégio Nossa Senhora das Mercês em Salvador

Nos últimos dias ando aproveitando mais um dos benefícios do mundo virtual: a possibilidade de localizar e fazer contato com pessoas distantes. Foi criado no Facebook um grupo de ex-alunas da escola onde cursei o primário, o ginásio e o primeiro colegial. Essa escola, como eram as boas escolas femininas das décadas de 60 e 70, era uma escola religiosa, ou como se diz popularmente, um colégio de freiras.

No site da escola consta que foi fundado em 1735 pela jovem baiana Úrsula Luísa de Monserrat. O Convento Nossa Senhora das Mercês sempre foi dedicado à obra educativa das Ursulinas. Inicialmente, era o Educandário com alunas internas.  Posteriormente, a partir de 03.02.1897, também com externato, criou-se o Colégio Nossa Senhora das Mercês.
 
Set de 1969, minha primeira comunhão
 
Nessa escola cheguei em 1967, vinda de uma escolinha bem menor e fiquei encantada. Minha irmã mais velha já estudava lá, e eu sonhava com o dia em que finalmente usaria a camisa de polyester, a saia azul marinho de pregas e o sapato vulcabrás. Fiquei encantada com tudo, os grandes espaços, a quantidade de alunos e salas, a "roça", área enorme, cheia de árvores onde brincávamos no recreio. Havia no entanto uma outra diferença. Se na minha escolinha anterior nós, os alunos, éramos tratados como sobrinhos pelas "tias", na minha nova escola, no Colégio Nossa Senhora das Mercês, eu conheci o rigor de uma nova disciplina.

Creio que todas as pessoas que estudaram em colégios de freiras são unânimes em afirmar quais eram as principais características dessas escolas: Boa formação e disciplina rígida. Não era mais o tempo da palmatória, mas havia castigos, suspensões, expulsões, broncas e reclamações, muitas. Fomos educadas para respeitar incondicionalmente nossos professores e quando eles entravam na sala de aula, nos levantávamos e só sentávamos com a sua autorização.   Mas isso fazia parte dos padrões vigentes e não havia, na época, outra forma de educação possível, pelos menos nas chamadas boas escolas.

Havia aula de religião e EMC (Educação Moral e Cívica). Houve um ano letivo em que até, a música que dava início ao recreio era "Eu te amo meu Brasil" da dupla Dom  e Ravel.  Eram outros tempos, e como não havia cadernos com fotos de galãs, aprendemos facilmente o Hino Nacional nos hasteamentos da bandeira dos quais participávamos  regularmente e também por estar ele na contracapa de nossos cadernos. Ainda sobre cadernos e livros, para mim era um momento de extremo prazer ajudar minha mãe a forrar ou encapar os livros com plástico transparente. Após encapados, de vez em quando minha  mãe permitia que eu colocasse um decalque, daqueles que eram antes molhados com água....coisas do passado.

A estrutura hierárquica da escola era formada por uma madre superiora, uma diretora e uma secretária, todas freiras. Lembro da bondosa Madre Beatriz, da qual todas gostávamos, lembro da Madre Sophia Mil'homens e seu nome tão inadequado para uma freira. Lembro da terrível Irmã Alayde, diretora mais que linha dura, Irmã Emanuel, que nos preparou para a primeira comunhão e Irmã Efigênia, nossa professora de Religião. Mas nenhuma se comparava à fantástica Madre Maria Luiza.

Baixinha, miúda, de idade indefinida, ela permanecia na porta para nos receber com seu inesquecível "Bom diaaaaaaaaaaaaaa". Com olhar atento, observava tudo, principalmente o comprimento das nossas saias, que tinham um padrão estabelecido de x centímetros acima dos joelhos. Algumas colegas mais afoitas, ao sair da escola para a rua, dobravam a bainha para dentro e a prendiam com durex. Mas houve um caso que serviu de exemplo: Uma aluna chegou na escola com a saia do uniforme curtíssima e a Madre Maria Luiza não pensou duas vezes: Com as mãos desfez a bainha mandado a infratora de volta para casa para que todos na rua vissem que uma "aluna das Mercês" não podia usar saia curta. Muitos anos se passaram e mesmo depois de sair da escola, ainda passava pela Avenida Sete e via Madre Maria Luiza bem velhinha na porta observando a chegada das alunos. De vez em quando, ao encontrar o portão de entrada aberto, eu sentava num dos bancos e tentava entender, como aquele espaço tão restrito era na minha infância simplesmente descomunal...

Como a escola funciona em um convento, também havia outras freiras que lá moravam e, nos meus primeiros anos, algumas alunas internas. Não sei bem porque, mas eu morria de pena das colegas internas. Imaginava mil coisas, que eram maltratadas, que não tinham mãe, sei lá que fantasias mais. Na hora do almoço ninguém vinha buscá-las, o que me deixava de coração apertado. Lembro bem das Marias. Maria Galvão, simpática, forte, um terror no "baleado". Maria Tavares, com seu jeito de índia e comportamento super quieto. Havia ainda uma outra Maria, de cujo sobrenome não lembro, mas lembro que ela ajudava na cantina, servindo um pãozinho delícia inesquecível e um cachorro-quente feito apenas com um pão francês, uma salsicha e mostarda. Não há uma explicação possível, mas nunca, jamais houve um cachorro-quente melhor que aquele.

As professoras, geralmente mulheres, permaneciam lá durante muitos anos. Praticamente todas as professoras que tive foram antes professoras de minha irmã. Algumas até, foram professoras de mães de colegas minhas. Fazendo um esforço de memória: No primário fui Aluna de Maria Eugênia Pondé. No ginásio vieram Marise (Matemática), Dona Walquíria e Gracinha (Geografia), Dailva (Ciências), Dona Helena (Canto) , Dona Antonia (a temida e fantástica professora de Matemática), Dona Marinalva (História), Débora (Francês) ,Calíope (Desenho geométrico ), Leila (Geografia) , Eliane (História), Dona Lourdes e Marise  (Português). Houve ainda Gracinha Pessoa, professora de Português jovem que morreu num acidente. Foi  substituída por Branca de Neve Rocha que nos levou ao Forum para assistir a um julgamento para depois decidirmos se Capitu (Dom Casmurro) era culpada ou inocente. Para mim foi uma experiência inesquecível. O filho dessa professora até foi meu namorado. Lembranças, lembranças.

Havia dois professores. Essas exceções eram Professor Armando de Ciências e  o nosso professor de Educação Física, Valfrides, já naquela época um senhor de certa idade. Lembrei agora de um detalhe: Quando menstruadas, tínhamos o direito de não participar da aula de educação física. Bastava na hora da chamada, na fila, levantarmos o dedo indicador e dizer: "Dispensa mensal". Simples assim.

Um momento de grande controvérsia vivido pela escola foi a difícil transição da saia de pregas para a calça jeans, já adotada pela maioria dos colégios em meados da década de 70. Uma opção encontrada pelas freiras para que suas alunas não ficassem "iguais a todo mundo" foi optar por uma esquisitíssima calça de tergal verde, com a qual convivemos por alguns anos. Para combinar, passamos a usar uma blusa branca com o escudo da escola impresso em verde.Quando enfim, por pressão dos pais a calça jeans foi adotada, já era meu último ano lá, que coincidiu também com a abertura para a chegada dos alunos. Sim, alunos homens. Era o ano de 1976.

Sai da Merces, fiz  vestibular, faculdade, entrei para o mundo do trabalho. Com algumas das colegas eu ainda encontrava em aniversários, passeios, visitas. Então eis que um dia, logo após o carnaval de 1998, encontro na rua uma ex-colega que não via há muito tempo. A conversa foi rápida, mas sai decidida a organizar um "Encontro das Meninas das Mercês".


IV Encontro das Meninas das Mercês - nov/2004

Se fosse contar tudo que envolveu esta aventura, num tempo em que não se usava tanto a internet, não chegaria ao final desse texto. Mas fiz, não só um, mas cinco encontros. O desafio de localizar as colegas usando a lista telefônica é um capítulo a parte. Mas havia também aquelas que tinham acesso a outras e que  iam chamando, trazendo cada vez mais gente. De início, ao falar com algumas ao telefone, percebia alguma resistência. Mas com alguma paciência, consegui realizar o primeiro encontro. Como muitas alegavam não lembrar dos nomes, prividenciei crachás que foram entregues na chegada. Com o sucesso do primeiro encontro, decidi pelos encontros anuais. Cheguei a realizar um sonho, o de fazer um dos encontros na própria escola, em novembro de 2004. Foi um trabalho hercúleo, mas quarenta colegas compareceram. Recolhi dinheiro na minha conta, encomendei  buffet, lembrancinhas, imprimi texto da música "Andança" para cantarmos junto com nossa professora de canto, como fizemos na década de 60, contratei  fotógrafo. Foi um trabalho louco, mas ao final o resultado foi muito bom. 

Com a minha mudança para Brasília, tentei com o grupo que elas se organizassem para que os encontros continuassem. Tínhamos então um Banco de dados com nome, telefone e email de todas.A cada encontro aliás, eu entregava a cada uma a versão impressa do Banco de dados, para que elas mantivessem contato. Bastaria que alguém assumisse, mas isso não aconteceu. As amigas se encontram nos pequenos grupos, mas um grande encontro não acontece desde 2006.

A boa notícia é a criação do grupo de Ex Alunas das Mercês no Face. Um grupo maior, não só da minha turma mas de diversas pessoas que passaram pela escola. Acredito nesta idéia. Temos tantas boas histórias, tantas lembranças legais. Vamos tirá-las das gavetas!


Nesses encontros e nas conversas que tive com as colegas o sentimento da grande maioria em relação a  ter sido uma "Menina das Mercês" é um só: Saudade. Saudade de uma escola que nos educou e nos trouxe conhecimento, num tempo em que ainda havia espaço para a ingenuidade.
 
Garanto que se receber um convite para participar de um encontro das ex-alunas das Mercês, se for num final de semana, imediatamente, dentro do espírito do meu blog, estarei "De mala pronta!"

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Dia dos Namorados



Constantin-Brancusi-O-Beijo-1909
 
Recebi de uma amiga uma mensagem mais ou menos assim: "Que importa se eu passar o Dia dos Namorados sem namorado? Afinal, eu não passo o dia do Índio com um um índio, nem o Dia da Árvore com uma árvore  nem o Dia de Finados com um defunto..." Pode ser, pode ser, faz sentido. Mas que passar o Dia dos Namorados ao lado de um bom namorado é bom demais, isso é.


Comecei cedo a comemorar o Dia dos Namorados. Ainda não tinha quinze anos e junto com as colegas de escola, fazia mil planos para o grande dia. Cada uma de nós sonhava com o bicho de pelúcia que ganharia. Sim, pois para nós, naquela época,  não podia existir presente melhor.  O primeiro bichinho que ganhei era um cachorrinho preto e branco que balançava a cabeça. Não chegou a ser uma surpresa, pois já no primeiro namorado, descobri que se para nós, mulheres,  comprar um presente para o amado é um programa e tanto, para eles pode ser uma verdadeira tortura. Assim, para minha surpresa, meu namorado pediu que eu saísse, escolhesse o presente e avisasse a ele onde comprar. Na mesinha de cabeceira durante todo o tempo que durou a nossa história, e doado depois que o namoro acabou, o cachorrinho foi testemunha de um namoro intenso entre dois librianos. Outros bichinhos vieram, até que um dia comecei a achar que eles ocupavam espaço e juntavam poeira. Talvez tenha sido nesse momento que aprendi a levantar, sacudir a poeira -  não a dos bichos - e dar a volta por cima. Mas vamos em frente.

Tive muitos namorados, e sempre gostei de comemorar as datas importantes. Mesmo quando ouvia o insuportável discurso de "sou contra o consumismo, isso não leva a nada, é invenção do comércio e outras desculpas mais, não me abalava. Sou uma lady. Assim, ouvia e ao final colocava meu ponto de vista: Não abria mão e ponto. A comemoração acontecia. Num restaurante chique, numa pizzaria , num barzinho ou  em casa curtindo uma comidinha feita com amor, ao som de uma boa música e à  luz de velas, o importante sempre, era comemorar, curtir a sensação de amar e ser amada. Antes que as filas tornassem os restaurantes inviáveis nesse dia, adorava escolher locais especiais para conhecer e jantar de mãos dadas , roupa nova, perfume e maquiagens caprichados, claro. Acho que toda mulher faz isso. Por que? Porque isso nos deixa felizes, ora. Precisa razão maior?

 Já passei Dias dos Namorados inesquecíveis, passei outros assim assim, e vivi um que foi um verdadeiro filme de terror. O que determina a qualidade do dia, para mim, é a qualidade da relação. Não adianta fazer festa com o coração apertado, a dúvida machucando, a insegurança gelando a alma.

Este ano passarei a data sem namorado. Decidi então reunir algumas amigas na mesma situação para juntas comemorarmos a amizade. Abrirei mais uma vez os salões da minha quitinete para um almoço. Cozinharemos, assistiremos a um filme, riremos muito e a vida com certeza seguirá seu curso. Ainda pretendo passar outros Dias dos Namorados bem acompanhada. Não, não sonho mais com um príncipe encantado e dispenso os bichinhos de pelúcia.  O que quero é acordar no dia 13 com o coração ainda em festa e a certeza de que estou vivendo uma boa história.

domingo, 22 de maio de 2011

Paixão não resolvida

Vou começar assim: Sou louca por gatos.
Como moro sozinha, em um espaço pequeno, e ainda por cima trabalho o dia inteiro e ainda viajo, ter um gato seria complicado. Mas minha paixão por eles está em toda parte, seja na minha conversa, seja na decoração da casa, seja nos acessórios com motivos felinos que encontro por aí e acabo comprando Além disso, os amigos que sabem da minha paixão acabam me presenteando com objetos onde os gatos são o tema. Eu adoro!
Claro que na infância tive gatos, três, para ser mais exata. Desde cedo descobri que os gatos, ao contrário dos cães, não se esforçam para nos agradar. Na verdade é o oposto que acontece. Independentes, donos de personalidades fortes, mas carinhosos e surpreendentes,  para os gatos nós é que somos propriedades deles. Longe de me aborrecer, esse aspecto da personalidade felina só me faz admirá-los ainda mais.  Sou daquele tipo que não pode ver um gato, principalmente se estou com uma câmara na mão. Afinal, pode haver maior encanto, maior elegância e charme num único modelo? Assim, nas minhas fotos de viagem sempre tem um gato. Gatos italianos, alemães, uruguaios, argentinos e mineiros fazem parte de meu acervo fotográfico.
Tem gente que quando entra numa casa onde há um gato, demonstra logo o desconforto. Eu não. Enquanto não coloco o dito cujo no colo , não sossego. Aí é um tal de psiuuiu pra lá, psiuuiu pra cá.... Um verdadeiro derramamento de paixão explícita. A hora de ir embora é um suplício, para mim, claro. Talvez para o gato seja um alívio, ver-se livre de tanta pegação. Já protagonizei cenas ridículas, pois existem gatos que não querem saber de estranhos. E aí lá vou eu, não importa com que traje esteja, suplicar, implorar por alguma atenção, mínima que seja, da tal imponente criatura.
Minha paixão pelos gatos me levou a ler sobre o tema. Descobri sites e blogs, além é claro, dos livros. Um verdadeiro deleite é Os Gatos, de Sonia Hirsh. Olha um trechinho aqui:

Dentro adoram, pode ser gaveta, armário, cesta, saco de compras e principalmente caixa de papelão; dentro redondo, então, é irresistível, mesmo que seja pirex ou embalagem de sushi
fora para tomar sol, paquerar passarinho, sentir o vento passar no nariz trazendo histórias nos cheiros
em cima dos guarda-roupas, das prateleiras de louça, da televisão com o rabo bem no meio da tela, do monitor do micro, dos livros ou do jornal que a gente está lendo: dormem e fazem charme
embaixo de cama, poltrona, sofá, colcha, tapete, para dar o bote quando a gente passa; e do lençol, quando a gente quer arrumar a cama
junto conosco na cozinha em qualquer circunstância
longe do aspirador, do liquidificador, de qualquer coisa que faça barulho e do veterinário, que também termina em dor
perto de parapeitos, beirais, janelas e outros lugares que deixam a gente de coração na mão
de papo pro ar, quando faz calor, patinhas largadas ao léu
na gente de noite, quando faz frio: por cima e por baixo das cobertas, no meio das pernas, no meio das costas, em cima da barriga, do lado do corpo, ninguém consegue mais se mexer: humanos cercados de gatos por todos os lados
tomando banho em grupo, todo mundo lambendo todo mundo, com muita saliva, muito som, as orelhinhas ficam encharcadas
no chuveiro vendo aquelas milhares de coisinhas brilhantes (1) se mexerem (2) fazendo barulho (3): três coisas que gato ama
no bidê bebendo água corrente com a língua a mil por hora
em cima da cristaleira paquerando a mesa do almoço, de barriguinha cheia e morrendo de sono, mas Quem sabe tem uma coisinha ali pra mim?
mordendo as perninhas traseiras da gata: o gato, quando quer que ela desocupe o lugar
correndo a mil pela casa, Tom e Jerry ao vivo e a cores, e ai dos vasos
comendo com os olhos os pombos que passeiam displicentemente debaixo do nariz deles pelo lado de fora da rede
caçando passarinhos no oitavo andar, vitória que só um gato muito contemplativo, calmo, concentrado e sortudo como Bigode consegue obter sem despencar lá embaixo
fascinados por baratas: uma delas rende duas horas e meia para três gatos. O jogo é uma espécie de futebol em que a bola está viva. Termina quando acabam as pernas. Da barata.

Bem, mas  voltando ao assunto, andei tendo umas idéias...

Uma colega de trabalho que tem,  não lembro mais se três ou quatro gatos, me falou de uma ONG que promove a defesa e a proteção dos animais. Todo o trabalho é voluntário: os membros da Diretoria e do Conselho Deliberativo, assim como os sócios que prestam serviços, não recebem qualquer remuneração. A ONG sobrevive graças aos recursos financeiros provenientes das doações de colaborações, das contribuições mensais ou anuais dos sócios e da venda de produtos (camisetas, bonés, adesivos) em feiras e eventos. A renda obtida é totalmente revertida para fins da entidade. Contam ainda com a valiosa e essencial colaboração/parceria de médicos veterinários. Essa ONG promove todos os finais de semana Feiras de Adoção, onde podemos ver cães e gatos esperando serem escolhidos por famílias amorosas que os acolham proporcionando todas as condições que os animais precisam para viverem saudáveis, seguros e felizes.
Estive numa dessas Feiras há uma semana. Confesso que foi muito difícil sair de lá sem um bichinho, ainda mais, em se tratando desses, cujas fotos ilustram esse post. Animais lindos, bem cuidados e só esperando uma chance de serem adotados.  Pois é, o coração apertou, ainda mais quando carreguei uma gatinha preta que cabia na palma de minha mão e ela se aconchegou no meu colo, fazendo aquele barulhinho gostoso que parecia um motor de popa de um barquinho.
Fiz minha doação (areia e ração) e dei meus dados me oferecendo como voluntária. Segundo as organizadoras me disseram, o simples fato de ir na Instituição dar carinho e atenção é uma grande ajuda. Quem sabe eu consiga ir lá aos sábados?
Quem gosta de animais pode ajudar de todas essas formas que citei acima. Toda ajuda é bem vinda! Para saber mais sobre a ONG é só acessar:

http://www.shb.org.br/


Almoços de Domingo

  Feijão, arroz, galinha assada. Feijão, arroz, carne de porco assada. Aos domingos era ou um, ou outro. Sempre. Mesmo sendo uma família...