segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Sobre ídolos e fãs

                                                                                                                  
     Se formos procurar no dicionário o que é fã, vamos encontrar “admirador exaltado”. Aliás, o fã e o fanático, às vezes caminham juntos.Só às vezes.
       Na minha adolescência, nunca tive ídolos. Via amigas e colegas suspirarem por cantores e artistas mas eu, sinceramente, gostava de vários deles, mas nunca de forma avassaladora. Jamais colei a foto de quem quer que fosse nos meus cadernos e pastas. Não havia cadernos com fotos de artistas, isso só veio depois. Sendo assim, meus cadernos ostentavam na capa mensagens cívicas como exigia a época e nos verso,o que se via era o Hino Nacional. Inclusive, procurando na rede foto de um desses cadernos, descobri um blog que é uma verdadeira pérola: Recomendo uma visita ao blog http://www.carissimascatrevagens.blogspot.com. A pesquisa, os textos e as imagens são  verdadeiros mergulhos no passado.


    Bem, mas o tempo passou, foi-se o ginásio, o segundo grau, e eis que a tão sonhada universidade chegou. Comecei a trabalhar no mesmo ano em que passei no vestibular. Um emprego muito legal, diga-se de passagem:Fui ser vendedora da H. Stern do Aeroporto de Salvador.
   Somando o salário e as comissões, dava para pagar a faculdade e para bancar meus maiores objetos de desejo na época: os discos.


   Era o ano de 1979 e meu gosto musical havia se ampliado bastante. Além dos clássicos da MPB e das musicas que ouvia no radinho de pilha,  eu andava interessadíssima na música produzida na América do Sul. Neste movimento, curtia os shows do Grupo Tarancón no Teatro Vila Velha. Como nos divertíamos nesses shows! Músicas do folclore boliviano,  tais como "Senhora Chichera", "La Mariposa", "Boquita de Cereza", "Canción y Huayño" e "Tinku" além de composições do próprio grupo com arranjos interessantíssimos. Lembro que um dos integrantes do grupo começava a pintar um painel no início do show e ao final, o painel estava pronto. Andei fuçando na rede e encontrei muita coisa desse grupo, mas o que me interessa são as canções da primeira formação do Tarancón. São  lindas e para mim, muito marcantes.

Além do Tarancón, eu ouvia nas festas da  faculdade muitos artistas novos. Entre eles uma cantora me marcou: A argentina  Mercedes Sosa.

Foi um caso de paixão logo na primeira audição. Assalariada, podia me dar ao luxo de comprar vários discos, entre eles uma preciosidade: A Arte de Mercedes Sosa. Esta série consistia em dois discos, o que dava em torno de vinte e quatro músicas, todas tocantes, poéticas, fortes: Volver a los 17 (adoro!), Gracias a la Vida, Los Hermanos e muitas outras. Motivo de orgulho, eu costumava levar meu álbum duplo para a casa das amigas, onde o ouvíamos acompanhando a letra das canções no encarte.
   A vida seguia seu curso normal, até que um dia nos chega a notícia bombástica: Mercedes Sosa se apresentaria em Salvador. Dá para imaginar o reboliço que foi? Não se falava em outra coisa, e eu contava os dias para o show. Eu só esqueci um detalhe: Eu trabalhava das três da tarde às nove da noite e o show seria num dia de semana.
Bem,meu entusiasmo era maior que tudo e nem me passava pela cabeça a possibilidade de não ir. Primeiro tentei trocar de turno com as colegas da manhã. Casadas e mães, nenhuma delas aceitou minha proposta apesar de meus veementes apelos. A solução seria pedir ao chefe para faltar no dia. Como já disse, era o meu primeiro emprego e eu não tinha  nem maldade nem desconfiômetro. Imaginava que a conversa com o chefe seria uma simples formalidade. Afinal, o que importava o trabalho diante da realização do meu sonho?
   Meu chefe era uma pessoa bondosa e educadíssima. Angolano, já havia sido gerente em outras filiais. Ouviu minha história com atenção e respeito. Ao final, disse-me que o que eu estava a pedir não seria possível, imagina se todos que aqui estão resolvem que querem ir a shows, Dona Vânia?
   Sai da sala anestesiada, pois até então via o trabalho como possibilitador e não como impedimento para o que quer que fosse.Foi o primeiro não que recebi no trabalho. No dia do show apesar de muito triste, trabalhei normalmente, imaginando  como estariam se divertindo os meus amigos.
   No dia seguinte, estou eu trabalhando, e por um instante fiquei sozinha na loja. Ao arrumar uma das prateleiras, ouço às minhas costas um  buenas tardes numa voz grave. Virei-me para atender e estaquei, completamente paralisada: Em pé na minha frente, sorrindo,estava Mercedes Sosa.
  Eu não esbocei qualquer reação. Ela me cumprimentou de forma natural. Mas para mim,o tempo tinha parado. Devem ter sido segundos, até que eu comecei a falar sem parar. Falei das músicas que gostava, dos discos que tinha, de como gostávamos dela no meu grupo e, até mesmo que meu chefe não permitira minha ida ao show. Ela ouviu tudo com a maior paciência. A uma certa altura da conversa, ela perguntou meu nome e o que ele significava. Expliquei que Vânia  na verdade é um apelido de "Ivan". Vem do russo antigo, e quer dizer "presente de Deus". Ela achou muito interessante. 

   Depois de algum tempo, chegaram pessoas da produção do show e ficaram ali, conversando e olhando as vitrines. Na despedida, agradeci e  falei que ela era linda. Ela sorriu e disse que não, que eu era linda, e que eu não ficasse triste, pois ela ainda faria muitos shows e num deles, certamente eu poderia ir.
    Então, as duas mulheres se despedem na porta da loja com um abraço afetuoso que uma delas até hoje não esqueceu.
   E de fato elas se reencontraram. Não mais em Salvador, não mais numa loja de aeroporto. Vinte e nove anos depois, a moça que ficava atrás do balcão aguarda ansiosa surgir no palco de um teatro em Brasília a mulher de sorriso largo e voz grave. Mas ela não veio. Não aquela.

    Na platéia lotada a expectativa é imensa. Então, amparada pelos seguranças, surge uma mulher idosa, que se locomove com dificuldade. As palmas e assobios explodem. Sem ensaio prévio, todos se levantam em sinal de respeito e admiração. A moça que trabalhou na H. Stern constata a ação do tempo não só na cantora, mas nela própria. Foi-se a ingenuidade, veio a sabedoria. Contabiliza as perdas e ganhos, sonhos, esperanças, recomeços.

   O show começa. Gracias a la vida, entoa a cantora, e a moça suspira feliz e agradecida por tudo que viveu. Yo tengo tantos hermanos, sim, pensa a moça, tenho amigos e amigas queridos, meus irmãos de coração. El tiempo passa...Sim, pensa a moça, e que bom que ele passa, que crescemos e nos reinventamos a cada dia. Sólo le pido a Dios que el dolor no me sea indiferente, que la reseca muerte no me encuentre vacío y solo sin haber hecho lo suficiente. Sim, sim. Que possamos um dia partir desta vida com a sensação de ter vivido uma vida com sentido, concorda ela. Cambia, tudo cambia. Tudo muda, certamente, aplaude feliz a moça.
     As canções se sucedem. Simpática, a cantora conversa com a platéia após cada música.O final do show se aproxima. Mercedes Sosa faz um pausa, suspira. Olha para a platéia e sorri. Sua voz grave inunda o teatro:Volver a los 17... Até então só emocionada, a moça, que um dia contou que seu nome é um apelido de Ivan, agora chora convulsivamente. Percebe que ao seu redor são muitas as pessoas que enxugam os olhos com discrição, ou que como ela, choram abertamente. Se va enredando, enredando...não só o musgo na pedra, mas todos os seres humanos na corrente da vida, se enredam, desenredam, cortam e criam laços. Vinte e nove anos se passaram desde aquele encontro, pensa na platéia com o rosto banhado em lágrimas, a mulher que um dia foi uma moça que queria ir a um show. No palco, última música, Mercedes alerta: Mas é preciso ter força, é preciso ter raça é preciso ter sonho, sempre... Retirada às pressas do palco, aparentando um mal estar, a cantora não mais retornou. A moça, no fundo do seu coração, sabia que nunca mais a veria.

      Mercedes Sosa morreu aos 74 anos em Buenos Aires, pouco mais de um ano após o show em Brasília. A cantora havia trabalhado intensamente até poucas semanas antes de sua morte. Em 2008, havia dito que continuaria cantando "até os últimos dias", como uma cigarra. Deixou uma legião de fãs espalhados pelo mundo. Entre eles,  uma mulher que esperou vinte e nove anos para enfim realizar o sonho de ver no palco aquela, de cujo talento e generosidade ela sempre será fã.












quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Sobre Rodas

Era um desejo antigo, o medo também.
A vontade era enorme, a resistência também.
Mas um dia, dia que foi hoje, eu abri as minhas asas.
Dei a partida num motor há muito parado.
Com os devidos cuidados, fui saindo de mansinho.
Olhei para os lados e me encontrei sorridente.
O coração mudava a toda hora de marcha.
Sob o meu comando, fui vencendo trajetos.
Esplanada e Ministérios,
palácios e árvores.
Retas e curvas,
subidas e descidas.
Ao parar no estacionamento do trabalho, percebi que chegou a hora.
Desliguei o motor e no silêncio ouvi a minha voz: Consegui!


                                       
                                                                                  05.01.2011

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Reencontro


   Sempre que venho a Salvador, mesmo que por um finalzinho de semana espremido entre as atividades de Brasília, existe um programa do qual não abro mão: um mergulho nas águas do Porto da Barra. É uma das praias mais conhecidas da cidade. Pequena e cercada por fortes e diversas igrejas, possui águas claras e calmas, ótimas para o banho. Segundo órgãos de turismo, ela foi eleita uma das dez mais belas praias do mundo. Proporcionando uma visão especial para a Baía de Todos os Santos, é um local ideal para ver o por do sol. 


   Praia da minha infância e adolescência, point de famosos na década de 80, lugar que lançava moda, hoje o Porto se divide entre a praia "playground", o point de turistas e, aos finais de semana, muvuca braba, com direito a pagode, cachaça e muita, muita gente.

    Mas não existe em Salvador uma praia como o Porto.

   Numa segunda-feira silenciosa lembrei dos vendedores ambulantes que faziam parte da paisagem. "Olha o picolé da Capelinha! Moça bonita não paga, mas também não leva!" O vendedor de picolé era um acontecimento. Performático, ele fazia pequenas cenas, lembro que levava um telefone e fazia de conta que falava com famosos marcando um encontro ali, na praia. Todo mundo parava pra ver. Lembrei da rede de vôlei, sempre os mesmos jogadores, bronzeados num tom que deixaria os dermatologistas de hoje de cabelo em pé. Aliás, quem viveu os verões das décadas de 70 e 80 em Salvador e não passou ao menos uma vez na pele óleo Johnsons com Coca-cola ou suco de beterraba? E quem não saiu da praia com a pele em carne viva se achando o máximo? Por baixo do guarda sol, sentadinha na cadeira alugada, espalho meu bloqueador fator 50 e lembro que, para a quantidade de barbaridades que fiz, minha pele até que está muito boa.

  Ah, o Porto...

  Aqui minhas amigas e eu, deitadas em toalhas estendidas sobre a areia, vimos Caetano de sunga de crochê, Elba Ramalho, e tantos outros. Aqui também vimos duas moças ousarem fazer um topless e serem cercadas pelos revoltados machos de plantão que não sossegaram enquanto as coitadas não se vestiram e foram embora. Tinha de tudo, o Porto.  

   A praia era também lugar de paquera e romance. Tão bom namorar dentro d'água... Aqui estive com namorados, aqui junto com um deles decidi fazer a minha primeira viagem ao exterior: Bolívia, Peru, Machu Picchu. Aqui se decidia o que fazer no final de semana. Era um tempo em que as pessoas se conheciam, a praia era um extensão da casa, da escola, do curso de inglês. 
  
   Além do lazer óbvio, a praia era o local que eu escolhia quando queria ler algo especial. Aqui no Porto estudei para provas, concursos, li muitos livros, revistas e jornais. Houve um tempo em que fazia parte da rotina dos meus sábados comprar um jornal, descer para o Porto, leitura e mergulho intercalados, na manhã que se iniciava. Na volta, a pausa para a água de coco geladinha. Sem dúvida, uma forma deliciosa de começar um final de semana.

   Reconheço a sujeira que hoje toma conta da praia, a insegurança que nos obriga a pedir sempre a alguém que tome conta de nossos pertences quando estamos na água. Mas enfim, assim como o Pelourinho, o Porto da Barra tem lugar cativo no meu coração e nas minhas lembranças. E cada vez que mergulho nas suas águas, estou na verdade em busca de tesouros, elos partidos da minha própria história.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Vânia Maria Braga

Hoje, em mais um feliz almoço de domingo, uma amiga me lembra que outro dia leu meu email com as receitas de minha viagem de 2002, quando estive na Alemanha, Itália e Luxemburgo. Fiquei parada pensando e tchan! Por que não colocar as receitas no blog? Vou incorporar "Vânia Maria Braga"! Coloquei junto com a mensagem de encaminhamento. Espero que curtam, como eu curti provar e fazer as anotações para dividir com os amigos.

Ainda sobre receitas, quando mudei para Brasília em 2007, imaginei uma forma de trazer algo que representasse todos os meus amigos. Resolvi então pedir uma receita a cada um e assim foi montado o meu caderno de receitas. Por sugestão de meu querido amigo Danilo, ele se chama "Com açúcar, sem açúcar, com afeto" - Receitas dos amigos. Ao chegar aqui, andei emprestando meu caderno aos novos amigos que fiz, com a condição de que na devolução, eu recebesse uma nova receita.
Deu certo e meu caderno de receitas tem um inconfundível aroma de amizade e um delicioso sabor de carinho.
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Receitas de viagem

Queridos todos,
Geralmente quando viajo, fico hospedada em casa de amigos ou acabo conhecendo pessoas interessantes que sempre gostam de preparar suas especialidades culinárias. Ao regressar, lembro com saudade daqueles momentos especiais e lamento não poder reproduzi-los. Na  última viagem à Europa em 2002 não foi diferente. Só que, pela primeira vez, sempre que alguém se encaminhava para a cozinha, com aquele olhar de Da Vinci antes de pintar a Mona Lisa, armava-me com caderno e caneta e registrava tudo o que lá se passava. Claro que tive que fazer algumas adaptações, ajustar ingredientes e medidas. A idéia era poder passar as receitas para os amigos, pois acredito que a cada vez que alguém prepara e oferece um prato a alguém, está na verdade recriando as receitas, colocando nos pratos seu toque especial.
Foram dados os créditos devidos aos autores das receitas, inclusive, com a cidade onde o fato gastronômico ocorreu. Os ingredientes calóricos podem ser substituídos por versões mais levinhas. Só não deixe de tentar. Escolha o prato, prepare, se puder servir a luz de velas, melhor...
É uma forma de retribuir ao universo todo o carinho que recebo nas minhas andanças aqui e ali.
Bom apetite!
Vânia Rebelo, setembro de 2004
                                  


Macheroni a la Siciliana
Paola Signolfi (Módena ,Itália)

400 gramas de macarrão tipo penne
3 berinjelas grandes
 2 dentes de alho espremidos
1 lata de polpa de tomate

½ tablete de caldo de legumes maggi
1 lata de creme de leite
1 mão cheia de salsa picada

Coloque água para ferver numa panela sem sal nem óleo. (Paola ficou horrorizada ao saber que aqui colocamos óleo na água do macarrão).
À parte, descasque as berinjelas e corte-as em pequenos cubos. Aqueça um pouco de óleo numa frigideira e junte 1 alho espremido. Junte as berinjelas e mexa até ficar bem frito (as berinjelas encolhem bastante). Deixe mais ou menos uns quinze minutos. Reserve.
Noutra panela, coloque também alho e óleo. Junte a polpa de tomate e o caldo maggi dissolvido em um copo d’agua. Quando as berinjelas estiverem cozidas, junte a salsinha.
Coloque o macarrão para cozinhar na água fervente, por 10 minutos se gostar de macarrão al dente. Se preferir mais cozido, deixe um pouco mais de tempo. Quando estiver cozido, escorra-o e coloque-o de volta na panela. Arte final: ao macarrão misture uma lata de creme de leite. Junte o molho de tomate, reservando um pouco para a decoração do prato. Por último junte as berinjelas, reservando um pouco para a decoração.Para servir, coloque o macarrão num prato fundo, cubra com o resto do molho de tomates e as berinjelas reservadas. Para acompanhar, queijo ralado, vinho branco e ao fundo, um som de piano...
                                                                       

  Frango com Tangerina
  Brigitte Muller (Freiburg -Alemanha)
  1 frango de aproximadamente 1 kg (coxa e peito)
  1 colher de chá de páprica
1 pitada de pimenta branca
190 gramas de gomos de tangerina (os de lá eram enlatados. Se for usar tangerina fresca, lembrar de tirar a parte branca, pois ela se torna amarga)
1 dente de alho
1 colher de chá de gengibre ralado
40 gramas de creme de leite
1 pitada de sal
1 colher de chá de óleo de soja
1 colher de sopa de maisena
10 gramas de passas
1 colher de sopa de vinho madeira
1 colher de sopa de molho de soja
Tempere o frango com o sal, pimenta e o vinho. Reserve. À parte, coloque o alho numa frigideira e acrescente o frango. Deixe dourar bem. Acrescente o alho espremido e o gengibre, tampe e deixe cozinhar. Junte a maisena. Quando estiver cozido e quase seco, acrescente a tangerina e o creme de leite. Servir com salada de alface e tomate e arroz branco.


Filé de peixe ao forno
            Brigitte Muller ( Freiburg – Alemanha)

Filé de peixe cortado em cubinhos
Camarões pequenos
Suco de 2 limões
Repolho cortado em tiras
Cenoura cortada em palitos
1 alho espremido
1 pitada de sal
½ xícara de creme de leite
½ tablete de caldo maggi
pimenta a gosto
vinho branco

Colocar os pedaços de peixe num pirex e cobrir com o suco de limão, sal e pimenta. Dissolva o caldo maggi em dois copos de água. Reserve. Cozinhar o repolho e a cenoura. Escorra-os. Unte um pirex com óleo, coloque no fundo os legumes cozidos, por cima o peixe, o suco de limão, o alho e o caldo maggi.Leve ao forno por 20 minutos. Após os 20 minutos, coloque o creme de leite, os camarões, o vinho e vire os pedaços de peixe. Coloque de volta ao forno até levantar fervura. Sirva com batatas cozidas.



Sopa de batata com camarão
    Liza Dubenkropp (Frankfurt – Alemanha)

500 gramas de camarão descascado (Médio)
1 colher de manteiga
1 alho picado
½ kg de batatas
1 tablete de caldo de legumes
sal, pimenta
2 colheres de sopa de creme de leite, sálvia

Refogue o alho cortado na manteiga, junte as batatas cortadas em pedaços e cruas, o caldo de legumes dissolvido em água e cozinhe até as batas estarem cozidas. Desmanche as batatas com uma colher, parcialmente. Junte os camarões descascados, ferva por cinco minutos, junte o creme de leite e a sálvia. Servir com torradas.

Carne assada com molho de vinho
      Liza Dubenkropp ( Frankfurt – Alemanha)

Carne de cervo (!!!!!!) ou carneiro
Refogar a carne inteira, cobrindo depois com vinho. Colocar numa assadeira junto com folha de louro, sal, pimenta e polpa de tomate. Deixar assar em forno baixo por duas horas, virando de vez em quando. Quando assar, tirar a folha de louro, separar o molho e juntar um pouco de creme de leite para ficar um molho mais espesso. Servir com batatas, palmito e ervilhas.

Peixe ao forno com gengibre
      Maurício Brichta (Bremen – Alemanha)
filés de peixe
molho de tomate
leite de coco
cebolas em fatias
gengibre em fatias
sal, pimenta

Tempere os filés com sal e pimenta. Unte um pirex com óleo, arrume uma camada de peixe, uma de cebola, uma camada de gengibre e cubra com o leite de coco. Finalmente, coloque o molho de tomate e leve ao forno por 30 minutos.Servir com arroz com passas.

      Macarrão com cogumelos
         Maurício Brichta  ( Bremen, Alemanha)
 750 gramas de cogumelos frescos
 50 gramas de manteiga
150 gramas de creme de leite
250 gramas de yogurte
100ml de vinho tinto
sal, pimenta

Cozinhe 1 pacote e meio de macarrão. Reserve.
Dourar a manteiga e refogar os cogumelos. Juntar os cremes e deixar evaporar metade da água. Juntar o vinho, deixar evaporar e ao final, colocar sal e pimenta do reino.Misture com o macarrão já pronto.

        Torta de Maçã
          Daniela Poppius Brichta - (Bremen – Alemanha)

4 ou 5 maçãs
1 lata de leite condensado
1 gema
canela a gosto

Descasque as maçãs, cortando depois em fatias finas. Bata a gema até clarear um pouco, misture com o leite condensado e a canela.Forre o fundo de um pirex com as maçãs, despeje a mistura e ao forno até dourar.

    Peito de frango com Queijo
     Restaurante Krokodille (Heidelberg – Alemanha)

1 peito de frango
queijo branco, tipo Minas, em fatias
cogumelos, molho de tomates

Tempere o peito de frango e cozinhe como de costume. Coloque num prato que vá ao forno o peito de frango coberto com o queijo, o molho de tomate e os cogumelos. Quando o queijo estiver derretido, servir com salada de alface, e batatas cozidas.


Cogumelos com yogurte
           (comidinha de barracas de quermesse)
(Foi a primeira refeição que fiz ao chegar, numa cidadezinha próxima a Frankfurt, ainda me refazendo da viagem e da emoção de ter conseguido ir)
Cogumelos frescos
Um pouco de azeite de oliva
Yogurte
Pão integral em fatias
Cebolinha em rodelas, alho picado

Tempere os cogumelos com sal e alho picado. Refogue com um pouco de azeite de oliva, junte o yogurte natural e cebolinha cortada por cima. Acompanhe com pão integral em fatias e suco de maçã.

      Picadinho de Carne
         Christine Keitel (Bielefeld, Alemanha)

1 kg de carne moída
alho poro em rodelas
1 colher de sopa de curry

Refogue a carne moída como de costume (cebola, alho, pimenta). Junte o curry e deixe tomar gosto. Por último, junte o alho poro em rodelas.Servir com arroz branco, alface e tomate em rodelas. É muito gostoso.



  Salada de batatas
 Maren Pasenau ( Receita tradicional do sul da Alemanha)
1 kg de batatas
3 cebolas grandes
sal, alho e pimenta, cebolinha em rodelas
vinagre
azeite de oliva
1 tablete de caldo de legumes knorr

Cozinhar as batatas com casca. Depois descascar e cortar em pedaços grandes. Ferva ½ litro de água, acrescente o caldo de legumes, pimenta, as cebolas picadas, vinagre (bastante), salsa e dois dentes de alho picado. Ferver tudo e despejar quente sobre a batata. Misture e coloque a cebolinha cortada. O molho deve ser um pouco mais picante e salgado que o normal, pois a batata absorve o sabor.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O Natal da Mesbla


 Brasília, dezembro de 2009

Hoje, após mais um almoço de confraternização, uma colega no carro lembrou da Mesbla.
Quem é mais vivido, lembra.
Ah, a Mesbla!
Foi a loja de departamentos referência da minha infância e eu costumava ir com minha mãe olhar as vitrines no período de Natal. Aos domingos, nariz colado no vidro da loja fechada, escolhia ali meus presentes.
O tempo passou, eu cresci e a Mesbla me acompanhando. Lembro das embalagens vermelhas, com um formato oval nas pontas. No Natal as árvores ficavam cheias de presentes da Mesbla, pois tinha de tudo lá: brinquedos, roupas, e os melancólicos cintos, lenços e meias para presentear pais e tios.

Tinha até uma musiquinha :

Na Mesbla, na Mesbla, o melhor Natal do Brasil,
Compre agora, sem entrada, e só comece a pagar em abril, abril
Abriu as portas do CrediMesbla,
Na Mesbla só se paga em abril!

Fiquei adulta e a Mesbla também. Já não pedia brinquedos, ia sozinha e pagava com meu salário as compras feitas na loja que agora ocupava grandes espaços nos shoppings da cidade. Dessa época lembro da filha de uma amiga que, ainda adolescente, me contou em segredo que quando se sentia triste, corria para a Mesbla para abraçar os enormes ursos de pelúcia que enfeitavam cada ala da seção de brinquedos.

Um dia, também eu triste, me vejo na loja e não resistí: busquei no urso o abraço que me faltava.

Tantas lembranças: a enorme ala dos Cds, num tempo em que os piratas não existiam, vitrines cheias do último lançamento do "Rei" e aquele ano em que Simone quase nos matou de overdose do seu "Então é Natal..."

A Mebla, que existe apenas na nossa memória, manteve abertas as suas portas de 1912 a 1999, quando foi decretada sua falência.

Os enormes espaços que se abriram com o seu fim foram preenchidos com a nossa perplexidade.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Doces lembranças

 Tempo de chuva em Brasília, hoje feriado.

       Dia bom para ficar em casa, ler, arrumar a casa, pensar na vida. Não para mim, que tive que trabalhar. Mas enfim, ao final do dia, meu amigo-irmão me convida para um passeio. Fomos então ao Shopping Iguatemi de Brasília, que eu ainda não conhecia, apesar de haver se passado quase um ano da sua inauguração.

    Lá dentro, luxo, charme e aqueles espaços enormes que só Brasília tem. Na H. Stern, uma parada, pois meu amigo iria buscar uma correntinha que estava no conserto. Fomos atendidos por uma moça educadíssima e super atenciosa. Ofereceu um Cappuccino, que a princípio não me interessou, mas depois que meu amigo me afirmou que era “o melhor que ele já tomou em toda a sua vida”, só me restou aceitar.

         A apresentação, primorosa, os biscoitinhos derreteram na boca. Fiz coro com ele. De fato, foi também o melhor Cappuccino que provei na vida. Além do mais, o sabor forte me transportou para um outro tempo. Um  tempo em que eu trabalhava na H. Stern.

        Em 1979, recém aprovada no vestibular, estava ansiosa para trabalhar. Num tempo sem internet, eu vivia de olho nos classificados dos jornais. Domingo era o dia melhor, o dia com a maior quantidade de ofertas. Pois foi num daqueles domingos que encontrei o anúncio daquele que viria a ser o meu primeiro emprego.

        No dia da entrevista procuro no armário algo que me ajudasse a construir uma imagem que tivesse algo a ver com o mundo do trabalho. Sem sucesso, pois nesta época além de ter os cabelos enormes e cacheadíssimos, vestia roupas pra lá de originais, desenhadas por mim e costuradas por minha mãe, que balançou a cabeça de um lado para o outro. Pelo julgamento dela, nenhuma das minhas roupas me daria uma aparência “distinta”. A solução foi buscar, entre as roupas de minha mãe, algo que contasse pontos a meu favor no quesito aparência.

    Quando enfim me olhei no espelho, até que gostei. Cabelo preso, calça jeans, uma blusa de seda, colar e brincos de pérolas. Este acabou sendo meu “Modelito emprego” e foi utilizado por diversas vezes, sempre com sucesso. Ainda hoje, quando quero passar uma impressão de confiabilidade, acabo lançando mão das pérolas.

       Trabalhei na H. Stern durante um ano e adorei. Na verdade, eram duas as lojas, ambas no Aeroporto de Salvador que ainda se chamava Aeroporto dois de Julho. Uma das lojas era a joalheria e a outra, onde trabalhei, era a “Casa do Folclore” que vendia toda a parte de prataria, pedras e lembranças da Bahia. Eu trabalhava das três da tarde às nove da noite. Menos às sextas-feiras, dia do único vôo internacional, que partia de Salvador, às duas da manhã, creio que fazia escala em São Paulo, antes de seguir rumo a Paris. As madrugadas de sexta eram movimentadíssimas, muitos turistas na loja, o que me fez ter um péssimo desempenho na disciplina “Noções de Economia”, cujas aulas eram aos sábados às sete da manhã. Chegando em casa por volta das quatro horas, eu mal tinha tempo de dar uma descansada antes de sair correndo para a faculdade.

     Lembrei de tudo isso mexendo meu delicioso Cappuccino. Bebida de origem italiana, o Cappuccino nasceu, segundo a história, quando soldados austríacos que libertaram Viena, reconquistada aos turcos, encontraram sacos de café abandonados. Ao prepararem a bebida com os grãos, acharam-na muito forte, e então misturaram creme de leite e mel para amenizar o sabor. O nome segundo dizem, vem da cor amarronzada da bebida, muito similar ao Capuz dos monges da época. Blog é cultura!

     Pedi a receita para a simpática atendente. Ela imediatamente trouxe a receita “micrada” e pronta para atender ao desejo daqueles que, como eu, se encantaram com o sabor da bebida. Só não vale substituir os ingredientes pelas versões light e diet, pois o gosto ficará comprometido. É para aqueles momentos raros de puro deleite e prazer. Como não sou egoísta, partilho aqui exatamente como recebi. Quem quiser impressionar uma visita querida, escolha belas xícaras e toalhas, uma boa música, e capriche. Com certeza será também “O melhor Cappuccino” da vida de muita gente!

Cappuccino H. Stern

Uma lata de leite Ninho instantâneo

100 g de Nescafé Matinal (Vidro)

Dois copos de Nescau

Um copo de Açúcar

Duas colheres de sopa rasas de bicarbonato de sódio

Modo de fazer

Passe todos os ingredientes na peneira.

Guarde em um recipiente fechado.

Use e faça sucesso!









sábado, 6 de novembro de 2010

A entrevista da Previ

Vânia Rebelo encontrou a escrita após uma transferência dentro do Banco do Brasil

Vânia mudou-se para Brasília transferida pelo Banco do Brasil – e foi pelo BB que ela ganhou confiança em seu trabalho. Os colegas brasilienses sugeriram que ela enviasse um de seus textos para a revista BB.com.você e a crônica “O que aprendi com Odair José”  foi publicada na revista. Vânia conta que recebeu feedbacks de todo o Brasil e só então percebeu o quanto seus textos eram realmente bons. “A divulgação do meu trabalho pelo BB foi um divisor de águas: depois disso comecei a levar a literatura mais a sério”.


Quais são seus estilos literários preferidos?

Eu sou uma pessoa que lê tudo o que passa pela mão. No momento estou apaixonada por Mia Couto (um escritor africano fantástico) e relendo Machado de Assis, que eu creio ser a base da literatura. Adoro reler livros antigos, principalmente, coletâneas de crônicas – que é também o que eu escrevo.

Como o Banco do Brasil ajuda a senhora a escrever?

Foi pelo Banco que comecei a divulgar meu trabalho e passei a acreditar no que eu fazia. Mas, o que o BB mais me acrescenta é através das atividades do Centro Cultural Banco do Brasil, principalmente, o Encontro com Escritores. Já pude ouvir palestras de Martha Medeiros, Luis Fernando Verissimo e muitos outros. Nesses encontros, o escritor narra seu processo de criação e ter contato com essas experiências ajuda muito na hora de escrever. Acredito que o produzir textos é um aprimoramento sem fim, então sempre busco participar desses eventos e de alguns cursos literários.

Como você divulga seu trabalho?

Me inscrevo em vários concursos, mas a principal forma de divulgação é pela internet. Em março deste ano criei um blog, o Tô de Mala Pronta: escolhi este nome porque gosto muito de viajar e nessas viagens acabo escrevendo bastante. Para mim é como se o blog fosse uma vitrine onde posso mostras meus textos.

O que a escrita representa na sua vida?

Pra mim é um espaço de liberdade, onde eu me coloco exatamente da maneira como sou e demonstro como vejo o mundo. É um espaço que conquistei e que está fazendo muita diferença na minha vida. Não tinha ideia de que escrever e divulgar meu trabalho seria tão bom.


terça-feira, 2 de novembro de 2010

Movimento "Comente Mais"


Vi esse selinho num blog que adorei: " Quero morar em uma livraria" e resolvi aderir. Só uma ressalva: É para as leitoras e leitores também.

     Texto do movimento

"Quantas vezes você visita um blog, lê um post interessante, a mão coça para comentar, mas sai sem deixar nenhum comentário?Às vezes porque surgiu um imprevisto, ou porque esquecemos, mas acredito que se for pra falar besteira ou não curtiu o que viu ou leu é melhor nem comentar. Educação e bom senso não fazem mal a ninguém!!!
O movimento é para conscientizar todos nós da importância de deixar um comentário quando visitamos um blog, porque é através dos comentários que a interação acontece, as ideias surgem e com isso vamos melhorando o conteúdo, sempre!
Então quer fazer parte do movimento? Copie o selo se tiver um blog e se não tiver, "comentemais!!!"

domingo, 31 de outubro de 2010

Olê, olê, olê, olá...

A Esplanada dos Ministérios estava movimentada, barulhenta e FELIZ!

No site da Previ

 Vejam minha entrevista no site da Previ: http://www.previ.com.br/

Ao acessar o site, lá embaixo, no pé da página,  tem um banner  - Sala do Participante -  Artes - verso e prosa - Vania Rebelo.

 Eu soube pela minha amiga Flavinha Valle que a Previ tem um espaço para divulgação das artes dos funcionários, sejam aposentados ou da ativa. Flavinha tem um blog fantástico sobre sustentabilidade, o http://www.vallereciclar.blogspot.com/ que está comemorando os 3.000 acessos. Além de textos e dicas sobre o tema, ela expõe também suas charmosas bijus feitas de material reciclado.Eu sou cliente! 

Bem, mas voltando ao site da Previ, fiz o contato, em pouco tempo recebi a ligação e fui entrevistada pelo telefone. A foto é a mesma que saiu na revista bb.com.voce. As categorias são: artes plásticas, fotografia, música, verso e prosa, desenho e animação. Então colegas, vamos ocupar esses espaços, afinal, como dizem, no Banco do Brasil tem de tudo, até bancário!

domingo, 24 de outubro de 2010

Mil acessos!

Amigos,



obrigado de coração pelos comentários e pelo carinho. As possibilidades de interação que o blog tem me proporcionado superam em muito as expectativas que tinha quando, em um domingo de março, criei este espaço de partilha. Hoje, ao constatar que já são mais de mil os acessos, só tenho a agradecer.
Beijos,
A gente se encontra na próxima história!


Almoços de Domingo

  Feijão, arroz, galinha assada. Feijão, arroz, carne de porco assada. Aos domingos era ou um, ou outro. Sempre. Mesmo sendo uma família...