sábado, 13 de março de 2010

Tardes em Brasília


Mudei para Brasília em abril de 2007. Decisão bem pesada, amadurecida. Já conhecia a cidade, tinha também muitos amizades, cultivadas ao longo de quinze anos de viagens a serviço para cá.

Ser soteropolitana não foi um dificultador. Mesmo longe da praia, Brasília tem seus encantos. Entre eles, o silêncio.

Para algumas pessoas, andar pelas quadras e eixos e não ver nenhum pedestre traz uma sensação de melancolia. Pois para mim, não. Gosto de silêncio, de paz, de quietude, de livros. Moro perto do Parque da Cidade e nas minhas caminhadas me delicio com o som dos meus passos.

Aqui as estações são bem marcadas, e as árvores são as vitrines da época da seca, da primavera, do outono. Depois da seca, nas primeiras chuvas o parque veste roupa nova, capricha na produção, é uma festa para os olhos. Durante a seca, os ipês prevalecem soberanos, com suas cores exuberantes, posando para fotos de turistas e locais.
 Nas minhas idas ao parque aproveito para levar minha mochilinha e depois dos exercícios, corro para a pracinha "Eduardo e Mônica". Cercada de banquinhos, a praça homenageia Renato Russo, um filho da terra. Ali coloco minhas leituras em dia. Gosto também de deitar no banco e ficar olhando a copa das árvores, sentindo a brisa no rosto. Depois, por que não? Uma passada na barraca do coco verde para hidratar minha vida candanga.

Eu, que antes não gostava muito dos domingos, aqui passei a curti-los. Tenho um grupo de amigos queridos que encontro praticamente todos os domingos para almoçar, tomar um café, bater um papo. No meu condomínio também fiz novas amizades com pessoas que também não são daqui.  Domingo também é dia de cinema, de refletir, preparar a alma e o coração para a  semana que está chegando.

Morar num lugar onde muita gente veio "de fora" nos dá uma sensação de independência, de liberdade, de protagonismo. E uma coisa é certa: eu gosto de morar aqui. E quando a saudade aperta? Bom, aí é rezar para "Nossa Senhora das Promoções" para conseguir um bom desconto, vaga no vôo e... duas horas depois, estou na Bahia, que segundo Gil, me deu "régua e compasso" para traçar uma vida diferente numa cidade diferente.

Uma vida feliz.


Um comentário:

  1. Hummm... que delícia! Esta gaúcha aqui também adora morar em Brasília!

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