domingo, 29 de agosto de 2010

Grupos

 Difícil sair de uma vivência de grupo da mesma forma que entramos. Na pausa ao final do processo,  lembranças e imagens vão surgindo. Os olhares: um é de interrogação, outro de dúvida, ainda há o olhar de surpresa, o de entendimento e  também o olhar molhado de emoção. Os gestos, sim os gestos. O arquear de costas, o mover de mãos que acompanha a fala, o gesto solidário, o gesto de afastamento, o gesto que atesta a transformação. Ainda ecoam as vozes de cada um, as brincadeiras e piadas, os questionamentos. Tantos anos e tantos grupos depois, confirmo que o ser humano por si só encerra uma imensidão de mistérios. Voltar para a sala agora vazia me traz saudade e paz. Observo os cartazes colados nas paredes, anotações e canetas esquecidas, restos de lanches. Lá fora, as luzes da cidade iluminam o ar parado, sem uma brisa sequer. Nesse clima seco, as pessoas voltam apressadas para casa depois de mais um dia de trabalho. Daqui a pouco, assim como os demais, também vou sair daqui e ser mais uma na multidão. Por fora sou mais uma. Por dentro, seguramente sou outra.

domingo, 15 de agosto de 2010

Tantas coisas...

A vida corre dentro e fora de mim. Momento de arrumação. Arrumando a casa, os livros, os sentimentos, as dores e alegrias. Descobertas de novas possibilidades de ser e viver. Neste domingo de sol, a sensação é de paz.

Daqui a pouco vou para uma biblioteca estudar. Mas não é uma biblioteca qualquer. Ao seu lado, uma pirâmide. Em outro ambiente, uma mandala. O templo da LBV aqui em Brasília é para mim um lugar mágico. Sempre que quero ler algo que exiga concentração, é para lá que eu vou. Além da enorme biblioteca que concentra uma legião de estudantes, uma sala de meditação, restaurante, livraria, lojinhas  de pedras e cristais e espaços amplos e silenciosos.

 Uma amiga daqui me passou esta dica e desde então, sempre que possível, dou um pulo lá. Às 18:00 uma oração com Pai-nosso na pirâmide une pessoas que não se conhecem numa corrente de energia. Depois uma sopinha deliciosa, um café e volto para casa na maior disposição para enfrentar a semana. Brasília tem mesmo seus encantos.

domingo, 1 de agosto de 2010

Os livros estão me expulsando!


Quando me mudei de Salvador para Brasília, o momento da escolha dos livros que viriam comigo foi um parto: Este vai porque eu gosto, este porque foi um presente, este aqui será útil, este outro pode vir a ser, ah! sim! este vou emprestar para tal pessoa. Como resultado, a mala veio bem pesada.

Aqui continuei com minha rotina de comprar ao menos um livro por mês. Contabilizando: três anos, trinta e seis meses... A kitinete pede socorro!

Meu contato com os livros e a leitura começou bem cedo. Já nasci em apartamento, na capital. Sou portanto, uma criatura urbana. Não brinquei na rua, não soltei pipa, não subi em árvores e até hoje não sei andar de bicicleta. Em compensação havia livros. Muitos livros.

Meu pai lia os jornais e revistas. Minha mãe  tinha e tem prazer em ler. Muitas vezes lia para mim, creio até que inventava algumas histórias, de acordo com o momento e o aprendizado que nós, crianças, precisávamos. A ela devo a minha paixão pela leitura.


 Havia no meu tempo de criança, um romance que era publicado em capítulos numa revista chamada Querida. Chamava-se  Angélica, a Marquesa dos Anjos. Ambientado na França, tinha títulos convidativos como  O Suplício de Angélica, A Vingança de Angélica, Angélica na Corte do Rei-Sol, Os Amores de Angélica, Angélica e as Perfídias da Corte. Periodicamente, eu acompanhava as venturas e desventuras daquela mulher belíssima, narradas por minha mãe enquanto fazia as tarefas da casa. Fazia parte da nossa rotina visitar as bancas de revistas, hábito que mantemos até hoje. Comprávamos Cláudia, Manchete, Fatos e Fotos, O Cruzeiro, Querida, A Cigarra, além de Figurino Moderno, Manequim e outras especificamente de moldes e modelos.

 Minha irmã mais velha aprendeu a ler cedo e se isolava,  me deixando sozinha, sem opções: Ih! não posso nem ler, reclamava ela com a irmã menor que ficava em volta rondando, em busca de atenção. Momentos havia em que minha mãe e ela, cada uma com sua leitura, me faziam sonhar com o dia em que eu também poderia ter acesso ao mundo mágico e totalmente distante das minhas possibilidades infantis.

Quando enfim me descobri capaz de ler, não perdi tempo. Lia tudo e de forma voraz. Rótulos de embalagens, bulas de remédio, tudo que via nas revistas. Num tempo em que os crimes ou não eram tão comuns ou, pelo menos não tão divulgados, alguns me marcaram. Aos sete anos,  li horrorizada a cobertura do assassinato de Sharon Tate, esposa de Roman Polanski, grávida de oito meses. Três dias depois de completar oito anos, outra morte, esta de um homem bonito, barbudo, num lugar chamado Bolívia. Perguntei por que fizeram aquilo. A resposta não me esclareceu muito. Afinal, aos oito anos a palavra "subversivo" não quer dizer absolutamente nada.

Mas nem só de revistas eu vivia. Mesmo com o orçamento apertado, os pedidos de livros em casa eram sempre atendidos, presentes certos no Natal e aniversários. Assim, li todos os livros de Monteiro Lobato, os Contos de Andersen, Pollyana, Diário de Ana Maria, coleções  e mais coleções, com aquelas brochuras azuis, verdes e vermelhas, letras douradas.Depois vieram as enciclopédias: Conhecer, Futurama, Delta Júnior. As enciclopédias ocupavam lugar de honra na estante, perfiladas solenemente. Num tempo em que a Internet nem sonhava em ser tão acessível, as enciclopédias aguardavam imóveis serem lembradas na hora das pesquisas escolares. Para mim, no entanto, não passavam de livros e assim foram todas lidas da primeira à última página.Os livros indicados pela escola eram insuficientes para meu apetite. Baiana de Salvador, na adolescência devorei a obra completa de Jorge Amado. Com este objetivo, passei a frequentar a biblioteca da escola. Aí, um novo mundo se abriu: Érico Veríssimo, José Lins do Rego, Raquel de Queiroz, as primeiras poesias.   Cresci, amadureci e continuo apaixonada pelos livros. Os que me marcaram? Nossa, são tantos...

Mesmo com  uma vida corrida, não deixo de ler. Ando com livros na bolsa, em Salvador li livros inteiros na praia, em consultórios médicos, nos ônibus. Não vou a lugar algum sem eles, mesmo que voltem intactos. Não resisto a uma boa indicação de leitura, como ultimamente a do angolano Mia Couto. A varanda do frangipani, presente de uma amiga, me tornou refém desse autor para sempre. Nunca vi tanta criatividade e sensibilidade na construção dos personagens e criação de palavras.

Bem, mas agora lá vou eu para a difícil  tarefa de escolher quais os livros que voltarão para a grande estante da sala em Salvador. Afinal, tenho que abrir espaço. Muitos outros ainda virão.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Partidas


Numa das músicas de Gil tem um verso que diz que "se a morte faz parte da vida, e se vale a pena viver, então morrer vale a pena, se a gente teve o tempo para crescer". Por mais que saibamos que a morte faz parte da vida, creio que nunca nos sentimos de fato preparados para o momento em que ela vem ao nosso encontro, tirando do nosso convívio pessoas que nos são caras.
A minha  primeira lembrança de perda marcante foi aos doze anos. Eu cursava o segundo grau e estava decidida a ser professora de Português. Tínhamos uma excelente professora. Jovem, bonita, destoando de certa forma das demais mestras, muitas das quais senhoras de idade e, como se tratava de um colégio religioso, algumas freiras. Nas férias do meio do ano,  nos despedimos com uma festa junina para o descanso de aproximadamente um mês. No retorno, ao chegarmos na escola, nos deparamos com uma movimentação incomum: as pessoas falavam baixo, algumas professoras choravam, a aula não começava. Após algumas horas de inquietação, a Diretora comparece a nossa sala e nos comunica com pesar que nossa querida professora que estava grávida de sete meses, fora vitima de um acidente automobilístico e não resistira.A comoção foi geral e apesar da orientação da escola, de que só os pais fossem ao sepultamento, minha mãe me levou.

No velório, fiquei durante algum tempo contemplando minha professora que parecia adormecida, distante de toda a dor e sofrimento que  fazem parte destas situações. O rosto sereno, em meio ao tule que ornamentava seu rosto. Única aluna da escola, ouvi da professora de Geografia que eu era muito querida por ambas e que elas se orgulhavam de ter uma aluna como eu. Sai de lá triste, mas sem nenhum trauma.

Há alguns dias, novamente vivi sentimentos como aquele, curiosamente duas vezes num mesmo dia. A perplexidade de todos diante da decisão tomada por um adolescente de acabar com a própria vida e a dor de uma amiga diante da partida do pai após onze meses de internação e luta. Nas duas situações, a saudade dos que ficam, as lembranças dos momentos vividos,a solidariedade, os abraços silenciosos, único amparo possível nos momentos onde a dor é tanta que nenhum palavra traz consolo.

Tenho observado no nosso inverno brasiliense as cores dos ipês. Por causa deles ando de máquina fotográfica na bolsa, captando os mais frondosos. Perto da minha casa um deles, totalmente vestido de cor de rosa forra o chão constantemente com suas flores. Representante da vida, do nascer, viver e morrer. Testemunha silenciosa dos ciclos da vida.


sexta-feira, 18 de junho de 2010

Segredos




Trago comigo uma caixa. Ela permanece fechada, só de vez em quando a abro e lanço sobre aquele espaço alguma luz.


Sempre fui a confidente. As pessoas me escolhem para contar seus segredos e coisas de suas vidas. Ainda muito nova percebi a enorme responsabilidade que isso acarreta. Um segredo revelado pode dar problema, pode trazer dores, mágoas, lágrimas. Aí desenvolvi uma estratégia: ouvia e me programava para esquecer logo mais. Assim, nem corria o risco de ter vontade de revelar, nem ele, o segredo, se doloroso fosse, me doeria. Só que nem sempre funciona.


Tem segredo que te absorve, a pessoa vai embora e ele fica ali, girando, girando. Tem segredo que te ajuda a entender o mundo, as pessoas. Aquela coisa que “eu nunca faria” serve para me mostrar que as pessoas são diferentes, e nem sempre o que acho certo é certo para o outro. Os segredos que envolvem muitas pessoas nos mostram como funcionam os grupos, sua dinâmica e movimentos. Os segredos de amor nos fazem sonhar, trazendo a situação para a nossa vida. Tem segredo que te revolta, mas é necessário saber que além de inútil, a demonstração da revolta pode desviar o foco do conteúdo que está sendo contado. Geralmente quem conta um segredo busca um ouvido, um ombro e após a narrativa sai mais leve, relaxado.

Prima próxima do segredo, a confidência não acarreta necessariamente um problema se revelada, apenas, o de mostrar que você não era dela merecedora. Gosto muito das confidências. Sou capaz de passar horas a fio calada, ouvindo, percebendo as mudanças na expressão da face e no tom de voz de pessoa que me entrega em confiança pedaços de sua vida. E essas narrativas acontecem nos locais mais diversos: são motoristas de taxi que contam suas dores familiares, é uma manicure que me revela um segredo conjugal, pessoas que conheço e em pouco tempo me entregam preciosidades, histórias mais bonitas que a ficção. Cada vez mais me convenço que a vida real é mesmo a melhor de todas as histórias.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

O prazer de ficar em casa



Não me considero uma pessoa caseira, muito pelo contrário. Nisso, puxei a minha mãe, que está sempre disposta a encarar qualquer convite que surja. Mas depois que mudei para Brasília e passei a morar sozinha de fato, passei a dar mais valor às oportunidades de estar quietinha, no aconchego do meu pequeno lar.

Após um final de semana numa cidade mais fria, aliás, muito fria, minha garganta chegou aqui em pandarecos. Trabalhei na segunda meio mole, na terça, dia do jogo do Brasil, tudo que eu queria era torcer pela seleção embrulhada em vários cobertores, com uma xícara de chá, um bom livro...

No dia seguinte, ao me examinar, o médico achou por bem me conceder uma licença de três dias, o que me permitiu um descanso maior e planejado. Sempre que fico em casa me planejo para atualizar minhas leituras, só que nem sempre a natureza da licença o permite. Desta vez, pelo menos durante o dia consegui ler alguma coisa, entre uma cochilada e outra, fruto da medicação. Ando interessada em livros voltados para a leitura e a escrita. Por exemplo, O ofício do contador de histórias, Técnicas para escrever ficção, A psicanálise dos contos de fadas, entre outros. As histórias vem aflorando, vejo cenas na minha mente e tenho procurado transformá-las em textos. Fiquei feliz por ter conseguido dar forma a uma pequena história infantil. Apesar de a cada leitura eu acabar mudando uma coisa aqui e outra ali, a história tem uma linha, um fio. E quer saber? Eu gosto dela.



domingo, 6 de junho de 2010

A abobrinha e eu

Nunca gostei muito de abobrinha, achava que não acrescentava nada aos pratos,  era muita água e pouco gosto. Isso começou a mudar quando provei a deliciosa lasanha de abobrinha do restaurante Govinda nos Barris, em Salvador. Não se trata de substituir a massa pela abobrinha, como se faz com a lasanha de beringela. A abobrinha entra em fatias como recheio junto com o queijo e o molho e não decepciona. No meu momento atual estou em fase de lua-de-mel com a cozinha, pois todos os dias preparo e levo meu almoço para o trabalho. Não sou vegetariana, mas a cada dia como menos carne,  o que me  tem levado a descobrir possibilidades inéditas nos legumes. Apesar de ter em casa um bom arsenal de receitas, o que eu gosto mesmo é de inventar. Hoje, domingo preguiçoso, a geladeira em baixa, pedindo compras, lá fui eu. Poucas opções: cebola, tomate, abobrinha. Ideia! Vou fazer um risoto. Então refoguei algumas fatias fininhas de cebola roxa, duas colheres de sopa do Pesto que veio da Itália, alho picadinho e ...uma abobrinha inteira ralada no ralo grosso. Refoguei, refoguei, quando estava douradinha coloquei o arroz e refoguei, refoguei de novo. Depois, água quente para cozinhar e meio tablete de caldo de legumes.Depois de pronto, uma colherinha de queijo ralado, tomates cereja com azeite de oliva, vinagre e sal....Delícia!
Outra forma de usar a abobrinha é crua. Sim, ralada no ralo grosso como se faz com a cenoura, a beterraba, a abóbora, a batata doce. Basta caprichar no  molho: eu misturo queijo cottage com uma colherinha de maionese light, salsinha e um pouco de casca de limão ralada. Se tiver carambolas em casa corte em fatias e enfeite a salada, fica lindo,delicioso e absolutamente original.

domingo, 30 de maio de 2010

Isso é lá com Santo Antônio!


O mês de Junho vem chegando e com ele as festas dos santos de maior popularidade, pelo menos no Nordeste. Entre eles, está o complexo Santo Antônio, demandadíssimo no quesito desencalhe. Sobre a efetividade de seu poder, as opiniões se dividem: há os que garantem que basta pedir com fé , que o  pretendente se materializa na porta, prontinho, com todos os requisitos atendidos. Outros, no entanto, afirmam que a quantidade de pedidos que chega sem cessar não permitem ao santo prestar um atendimento de qualidade, o que o levaria a despachar para a suplicante o primeiro pretendente que aparece, o que significa dor de cabeça na certa. A solução seria então endereçar as orações a São José, segundo alguns, um santo mais criterioso, que ainda dedica um tempo maior a cada pedido,  cruzando características de uma  com o jeito de ser do outro.

Como nada disso foi comprovado cientificamente, creio que Santo Antônio continuará sendo o campeão de cartas, bilhetes e orações ainda por um bom tempo.A propósito, há mais ou menos uns oito anos, aconteceu um fato curioso me ligando a esse santo.

Havia sido montada em Salvador uma exposição onde vários artistas criaram sua versão para Santo Antonio. Teve de tudo, desde as imagens tradicionais em cerâmica, madeira, material reciclado, metal de latinhas, até um Santo Antonio Drag Queen, com direito a sandália plataforma e maquiagem carregada. Além dos santos produzidos pelos artistas, havia também um lindo altar, todo decorado com minúsculas imagens de Santo Antonio em gesso, pintadas de um azul escuro, quase Royal. O ingresso do evento dava direito também a uma deliciosa ceia junina, daquelas cheias de itens amarelinhos como canjica, pamonha, cuscuz, bolo de milho. A ceia foi liberada depois das orações e cantos, afinal, era 13 de Junho.

Bem, estávamos num grupo grande, mais ou menos umas dez pessoas entre familiares e amigos. Eis que então uma amiga da minha mãe me chama num canto e me pergunta se eu já havia roubado meu Santo Antonio. Não entendi nada. Como assim, roubar... Ela me afirma que se algum dia eu precisasse dos serviços do Santo (no momento eu não precisava), de nada valeria rezar para uma imagem comprada. Para garantir um bom resultado, a imagem teria que ser roubada.

Não precisa dizer que achei a história toda meio fantasiosa. Mas aquela senhora não largava do meu braço. Num tom cúmplice me segredou, olhando para o meu então parceiro: “Nunca se sabe o dia de amanhã... hoje você não precisa, amanhã, quem sabe...é melhor garantir”. A história se espalhou na mesa e,  logo logo, havia uma torcida querendo que eu praticasse o delito. Olhei para um lado, para o outro...fui!

Ao chegar ao altar, olhando furtivamente para todos os lados, percebi que se não verdadeira, a história era pelo menos bastante difundida, pois onde antes havia quase uma centena de pequenas imagens, restavam uns poucos para contar a história. Sendo assim, apenas estendi o braço. Na minha mão, o santo indefeso. Voltei para a mesa, onde fui saudada como heroína. Chegando em casa, coloquei o santo no altarzinho de minha mãe e me esqueci do assunto.

O tempo passou e certo dia, em almoço com amigas que assim como eu estavam "de volta ao Mercado", eis que uma delas começa a reclamar de Santo Antônio. Segundo disse, ela estava cansada de doar roupas e alimentos na igreja dedicada ao santo sem, digamos, nenhum resultado efetivo. Outra amiga também presente afirmou que tinha imagem em casa, rezava constantemente e a sonhada graça não fora ainda concedida. Eis que então, a amiga que permanecia calada disse "Vocês estão fazendo tudo errado! O único jeito de se conseguir alguma coisa com Santo Antônio é rezar para uma imagem roubada. Todas riram. "Que absurdo! E onde conseguiremos uma imagem roubada?" Até então calada, eu levantei o dedo timidamente..."Eu tenho..."

Dá para imaginar a confusão? Imediatamente foi organizada uma escala de visitas para minha pequena imagem azul. Como éramos quatro, a cada ano o santo permaneceria durante três meses na casa de cada uma de nós. Durante esse tempo, estaria disponível para os pedidos de quem o hospedasse. Durante as suas andanças, a imagem ganhou alguns adereços: um belo suporte de madeira como um nicho,  adornado com flores brancas e pequeno terço.Os sorteios eram feitos durante almoços e jantares que fazíamos com esse pretexto. Essa itinerância durou bem uns quatro anos, até que me mudei para Brasília e, de comum acordo, foi decidido que a imagem ficaria comigo.
     

Observo a pequena imagem, hoje já mostrando as marcas do tempo e das quedas que levou. Se alguma coisa mudou na minha vida e na das minhas amigas? Uma delas hoje está bem acompanhada e feliz. As outras duas, pelo que sei, permanecem no aguardo. E eu? Bem, uma coisa é certa: no momento não tenho do que me queixar e além do mais, o ato de roubar um santo acabou rendendo uma boa história!












domingo, 23 de maio de 2010

Contando histórias

Estou fazendo um curso sobre "A Arte de Contar Histórias" aos sábados pela manhã e estou adorando. Nossa, como eu esqueci as histórias que me contaram e no curso, aos poucos elas vão voltando. "Quem quer casar com a Senhora Baratinha, que tem fita no cabelo e dinheiro na caixinha?" Detalhes de Chapeuzinho Vermelho, contos populares, técnicas para melhorar a dicção e a memória. Enfim, me inscrevi sem muitas expectativas e cada vez fico mais apaixonada. Grupo pequeno, aulas tranquilas, aprendizado fluindo. Depois do curso precisarei conseguir um espaço para me exercitar. Calma, em Junho vejo isso.

domingo, 9 de maio de 2010

Viagem - Marisa Gata Mansa



Esta é música tema do Blog.
Coloquei a letra numa postagem chamada "Meu Momento".
Aqui está a versão em áudio. Detalhe: Paulo César Pinheiro tinha 14 aninhos quando compôs esta pérola.

Feliz Ano Novo!

        

Estamos em maio, mas a sensação que tenho é que é agora que o ano está começando. Voltando das férias, corro para colocar a vida em dia. Matrícula na Hidroginástica numa academia estilosa perto da minha casa, três noites por semana. Retorno para um mês de Danças Circulares nas quartas-feiras à noite, neste mês o foco são as Danças de Israel. Grupo pequeno, tranquilo, novas instalações. Sábados pela manhã, Curso de técnica de Contação de Histórias. De segunda a sexta das 08:00 às 17:00, trabalho, claro. Ainda estou paquerando as atividades livres da Nova Acrópole, escola que dá aulas de Filosofia em Brasília. Soube que a Câmara dos Deputados dá aulas de temas voltados para a Leitura e Escrita. Aqui em há muito o que fazer e me interesso por muitas coisas. Filosofia, Gastronomia, Música, Fotografia, Cinema, Teatro...Existir é bom demais!



  


 

Almoços de Domingo

  Feijão, arroz, galinha assada. Feijão, arroz, carne de porco assada. Aos domingos era ou um, ou outro. Sempre. Mesmo sendo uma família...