quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Vestida de fantasia

Sempre que alguém, numa conversa, evoca as lembranças do tempo de criança e traz lembranças de árvores e quintais, frutas e brincadeiras na rua, permaneço calada. Criança de apartamento, mesmo tendo tido o privilégio de dispor de uma fazenda para brincadeiras durante as férias, os dias ali passados não são para mim marcantes. A primeira vista, pode parecer uma futilidade, mas minhas mais marcantes lembranças de infância, são todas associadas a roupas. Na minha infância, meus vestidos eram verdadeiros personagens dos momentos que eu vivi.   


Não fui uma criança saudável, muito pelo contrário. Asmática desde cedo, entrei tarde na escola e mesmo assim, cheia de limitações. Não podia correr, não podia subir escadas, nada de sorvetes ou gelados. Além disso, quando as crises me atacavam, passava dias e dias sem ir para as aulas, geralmente de cama, tomando uma infinidade de remédios e injeções. Cheguei a ser desenganada pelos médicos, que chamaram meus pais e sugeriram que tivessem outro filho, pois não haveria cura para mim. Estavam errados, claro. Mas dentro de um cenário pouco animador como aquele, o que minha mãe podia fazer para me ocupar?

Antes de contar, preciso informar aos mais novos, que nos anos sessenta, poucas eram as pessoas que compravam roupas prontas, nas lojas. Pelo menos ao meu redor isso não acontecia. Num tempo em que poucas eram as mulheres que trabalhavam, quase todo o vestuário das famílias era costurado em casa, ou encomendado às costureiras. Isso implicava em inúmeras provas, palpites, espetadas de alfinetes. Se para algumas crianças isso era um castigo, para mim eram momentos da mais pura felicidade.

Minha mãe era uma exímia costureira. Além de costurar todas as roupas que eu e minha irmã mais velha usávamos, ela ainda costurava para amigas e conhecidas. Da máquina Singer de pedal iam saindo vestidos tirados das revistas Manequim, Figurino Moderno, A Cigarra. Como eu adorava essas revistas! Acompanhava minha mãe nas bancas de revistas e ganhava dela bonequinhas de papel para recortar. Nas cartelas, além das bonecas, vinham roupinhas que podiam ser trocadas. Como não eram muitas as roupas e eu vivia num universo povoado de modelos, muito cedo comecei a desenhar roupas para minhas bonecas. Minha produção de roupinhas era tanta, que minha mãe as guardava em caixas de papelão que pedia nos supermercados. Eu desenhava o traje completo: Vestidos, saias, bolsas, sapatos. Hoje, lembrando dos cadernos e mais cadernos que preenchi com meus desenhos, me arrisco a dizer que mesmo sem qualquer formação, eu era uma estilista em potencial. Dessa época vem meu gosto pelos assuntos de moda.

Como minha mãe e eu partilhávamos da mesma paixão, logo aprendi a tirar os moldes que vinham nas revistas, geralmente dobrados nas páginas centrais. Eram linhas vermelhas, pretas, azuis e podiam ser retas ou pontilhadas. Após cobertas as linhas, era hora de decalcá-las com papel transparente. Na etapa seguinte, os moldes eram colocados sobre o tecido e então cortados. Eu acompanhava todas as etapas, principalmente quando a roupa seria minha. Muito cedo aprendi a conhecer os tecidos e definir qual a textura adequada pra cada modelo. Aos domingos passeávamos no centro da cidade e olhávamos as vitrines. Assim que chegávamos em casa, eu desenhava as roupas mais interessantes que seriam costuradas depois.  Eu tinha o maior orgulho em dizer que meus vestidos eram feitos pela minha mãe.Creio que este era um dos motivos pelos quais as roupas sempre tiveram uma importância afetiva para mim.

Quando enfim ficavam prontos, minha mãe me concedia a honra de tirar os alinhavos antes de enfim passar o vestido a ferro e declará-lo oficialmente pronto para o uso. Lembro de tantos:  O azul com gola  redonda e bolso xadrez, onde escondi um relógio comprado por meu pai para presentear minha mãe. O bege em shantung, com um ousado escorpião em vinil vermelho desenhado por mim e costurado por minha mãe. Fui com ele para uma cerimônia de primeira comunhão na minha escola causando a maior sensação. Era ousadia demais! O vestido branco em flanela, com fitas bordadas e um elefantinho que usei durante a viagem para Paulo Afonso, a primeira sem meus pais. Vem dessa época meu gosto por roupas e sapatos diferentes. Mesmo sendo eu uma criança, passei a repetir uma das máximas de minha mãe quando o assunto é roupa: " Muito comum, não serve". Num tempo em que a palavra customização não existia, lembro que cortávamos panos de prato com estampas bonitas para aplicar nas minhas roupas, usávamos sacos de pano lavados para fazer vestidos e mil outras coisas.

Na fase da adolescência, usei muitos vestidos desenhados por mim e costurados por minha mãe, que me apoiava e incentivava. Mesmo sem recursos, sempre tivemos muitas roupas, pois se faltava dinheiro, sobrava criatividade. Tudo se reaproveitava e eu ainda herdava as roupas de minha irmã, transformando-as em outras.

Já mocinha, tive uma amiga que era sobrinha de um estilista famoso em Salvador que em seguida teve projeção nacional chegando a ter um quadro num famoso programa feminino. Estive com minha amiga na casa dele algumas vezes e sempre eram ocasiões de encantamento. Lembro ainda hoje de um vestido de algodão cru que ele desenhou para uma amiga, com bolsos num tecido colorido e um ousado decote nas costas. Pois não é que num carnaval ele desenhou duas fantasias para nós? A primeira consistia numa saia longa, com aberturas laterais para as pernas e um bustiê com as alças cruzadas na frente. Parece simples? Sim, só que o tecido era lamê, puro brilho. Assim, minha amiga fez o dela em vermelho enquanto o meu era verde. Mas a segunda fantasia, essa era um acontecimento.
 Eram duas fantasias de odalisca. Bustiê em chita, destas bem coloridas e o cós da saia em voal também em chita. Mas o detalhe fantástico era a proposta que ele nos fez, para que a fantasia ficasse de fato maravilhosa: Deveríamos rebordar todo o estampado da chita em paetês. Lembrando, eram os anos 70, e a chita nem sonhava em ser um tecido cult como agora é. Claro que bordamos. Levamos dias e dias, horas e mais horas com nossos paetês e missangas, rebordando aquele tecido coloridíssimo. A cada ponto, íamos construindo nossas fantasias únicas, com um resultado final que quase não podíamos acreditar. Ficaram lindas!

Outra roupa marcante foi um vestido que vi numa revista. Era lindo, muito bordado, como eu gostava. Mostrei a foto para minha mãe que balançou a cabeça. Afinal, todo recoberto de bordados em ponto cheio, o vestido seria caríssimo. Acatei a decisão, mas nunca me esqueci do vestido. Anos depois, muitos anos depois, uma amiga veio do México com um vestido igual. Aí fiquei sabendo que o vestido que era meu sonho desde criança era um vestido bordado pelas mulheres do México. Tive a oportunidade de ir ao México num momento de mudanças intensas na minha vida e encontrei o vestido dos meus sonhos, exatamente igual ao da revista. Comprei-o e voltei para o hotel com o pacote apertado de encontro ao meu peito. Não era um simples vestido, era a realização de um sonho, num momento em que eu precisava desesperadamente acreditar que eu ainda seria capaz de realizar muitos dos meus sonhos engavetados.

Anos depois, já bem madura, fiz um curso de estilismo rápido em Salvador. Matei as saudades dos desenhos e leituras de assuntos de moda. Concordo com a professora quando ela afirmou que ao vestirmos algo, estamos sempre passando uma mensagem, pois queiramos ou não, a roupa tem um papel importante na composição de nossa aparência e da impressão que causamos. Revendo fotos antigas percebo que sim, os vestidos estavam mesmo em sintonia com os momentos que vivi.  Mas confesso que sinto saudade do tempo em que vestia as roupas que nasciam no meu caderninho de desenho e que ajudaram a modelar a pessoa que hoje sou.

























sexta-feira, 29 de junho de 2012

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Uma boa indicação de leitura

Estou encantada com este livro. Nunca tinha lido nada deste autor e o livro está sendo uma gratíssima surpresa. Não consigo me separar dele, e já sinto uma saudade antecipada. Aconselho a todos, é uma leitura leve sem deixar de ser inspiradora. O autor interpreta algumas obras de arte de uma forma muito interessante, fazendo-nos mergulhar nas paisagens e imagens dos quadros. Estou encantada e vou em busca de outros livros de Alain de Botton.
Um trecho:
"Poucas coisas são tão empolgantes como a idéia de viajar para longe. Para algum lugar de clima mais ameno, costumes mais interessantes e paisagens mais inspiradoras. Por que, então, costumamos ficar tão insatisfeitos com a realidade concreta das viagens?"

Reproduzo abaixo a orelha:

  "Em A arte de viajar, Alain de Botton, autor de " As Consolações da filosofia", nos propõe uma excursão pelas satisfações e decepções do ato de viajar. Aeroportos, tapetes exóticos, emoção das férias e frigobares de hotel; esse livro bem-humorado, esclarecedor e instigante revela as motivações, expectativas e complicações ocultas em nossas viagens pelo mundo afora.

Para acompanhá-lo nesse percurso, de Botton convida escritores, pintores e pensadores que foram inspirados pelo ato de viajar em todas as suas formas: Gustave Flaubert, Edward Hopper, Baudelaire, Wordsworth, Van Gogh, Ruskin – todos prontos para partilhar suas profundas impressões.

Antídoto perfeito para aqueles guias turísticos que nos dizem o que fazer, A arte de viajar tenta explicar por que realmente sentimos vontade de ir até determinado lugar, e apresenta modestas sugestões de como poderíamos aprender a ser mais felizes em nossas viagens."


quarta-feira, 13 de junho de 2012

segunda-feira, 14 de maio de 2012

A ver estrelas

Há muitos anos, eu assisti a uma peça em Salvador chamada  "A ver estrelas" que relata a história de Jonas, um garoto quieto e pacato que vive na tranquila Vila da Solidão. Num determinado momento que está só em seu quarto, ele se perde em seus pensamentos observando as estrelas. Num misto de sonho e realidade, Jonas se vê cercado pelos seres encantados que moram em sua imaginação.

Sem perceber, vai parar num lugar onde tudo pode acontecer, o País do Navegar. Essa trajetória mostra a Jonas a oportunidade de sair de sua monotonia – o Reino a Ver Estrelas – e se permitir descobrir como aproveitar melhor os seus dias, experimentando os conflitos que são estranhos ao seu universo. 

No meu último dia no Arizona, voltando do restaurante com Tom e Ed, me detive contemplando o céu. Aqui em Tucson, não e permitido ter muita luz nas ruas, por ser uma área onde existe um observatório. O excesso de iluminação publica prejudicaria o trabalho dos cientistas. Inclusive nesta semana em que aqui estou, uma briga ocupa os jornais de Tucson. O centro da discussão eh a colocação de um outdoor com luzes em neon. O comercio quer, mas a comunidade entende que as luzes terão que ser viradas para baixo, em virtude claro, da tradição da cidade e do respeito aos que nela trabalham com astronomia.
Olhar as estrelas no meu último dia de viagem me lembrou da peça. Assim como Jonas, o personagem principal, eu também opto por navegar. Nas viagens que faço, aprendo sobre os países e pessoas, mas principalmente sobre mim. A cada retorno me percebo diferente, como se meu corpo abrigasse uma outra pessoa. Faço planos, defino metas, enfim, recarrego minhas baterias totalmente.

Os dias de agito em Nova York aliados ao sossego do Arizona formaram uma combinação perfeita para as minhas férias. Voltei com a certeza de que preciso cuidar mais da minha saúde, isso inclui além de uma alimentação adequada e exercícios, ter mais tempo para simplesmente ser. E isso inclui também ficar a ver estrelas, de preferência, após muito navegar.








terça-feira, 24 de abril de 2012

Só tenho a agradecer!



Muito obrigado a todos aqueles que em algum momento embarcaram nesta viagem comigo.
Um grande beijo e até a próxima parada!


segunda-feira, 23 de abril de 2012

As cores do Canyon

Sexta pela manha, conforme programado, saímos de Tucson com destino ao Grand Canyon. Sem muita pressa, afinal era um passeio. 

Nossa primeira parada foi em Sedona, cidadezinha que lembra um pouco a estrutura de Pirenópolis, mas com um visual lindo das formacoes rochosas de la. Paramos, fotografamos, passeamos e pernoitamos la.

No dia seguinte, cedo, partimos de novo. Viajar com   belas estradas, lindas paisagens e ouvindo musicas dos anos 80 no radio. Bom demais...

A estrutura do Parque Nacional do Grand Canyon eh toda voltada para o turismo. Os preços são bem salgadinhos. No entanto, compensa ficar num hotel dentro do Parque, pois se ganha um tempo precioso, afinal só tínhamos um dia e meio para ficar la. O hotel excelente, mas no cafe da manha so agua, cafe e cha. Qualquer coisa a mais tem que ser pago e bem caro. Uma curiosidade, eh que fotografei a placa da fundacao do hotel e em, 1914, ele ja cobrava cafe da manha a parte.

Há programas e passeios para todas as idades. Fico encantada com a quantidade de pessoas idosas e com deficiência que vemos aqui, participando de tudo. Para os atletas, há trilhas de tirar o folego, com vários dias de caminhada. Para os intermediarias, há a possibilidade de andar pelas passarelas que contornam o vale tenho a cada parada, vistas lindíssimas. Ainda existe a possibilidade de pegar um ônibus, que circula dentro do Parque e para nos mais belos mirantes. Esta foi a minha opcao de domingo, depois de andar um sábado inteiro.

Como em todo ponto super turístico, como eh o caso aqui, há ainda outras opcoes de passeios. Uma, a de helicóptero, que cheguei a cogitar. Mas, depois que já se andou tanto e viu tanta coisa, dar quinhentos reais por 30 minutos de sobrevoo...Não. 

Outra opcao que esta sendo muito difundida eh a tal varanda com chão de vidro, para você ter a sensacao que esta solta sobre o Canyon. A verdade dos fatos eh bem outra. Em primeiro lugar, ela não faz parte do Parque. Ela esta situada numa propriedade particular e fica a cinco horas do Canyon. Só compensa ir caso se esteja a caminho de Los Angeles. Olhando pelo folheto direitinho, da pra ver que ela não eh tao grande assim e custa, claro uns duzentos reais para chegar a ela. Por tudo isso, não fomos.

A minha percepcao eh que não são necessários tantos aditivos para aproveitar bem este passeio. O Canyon eh lindo, visto de qualquer angulo. As cores vao mudando de acordo com a posicao do sol, e no final do dia, o espetaculo eh deslumbrante.

Claro que eh papel das agencias de turismo oferecer opcoes para estimular as pessoas e claro, obter seus lucros. Mas há tantas formas de se curtir um lugar lindo como esse. A quem vem, recomendo andar, passear, parar, descansar e so depois comprar algum passeio.

O que me interessou mais, foi um que une jeep e barco, pois adoro agua. Este, com duracao de doze horas, seria inviavel, mas para mim pareceu o mais interessante deles todos, o que eu faria caso tivesse tempo. Alem de percorrer uma regiao por cima, voce ainda desce e passeia pelo Rio Colorado, vendo entao os paredoes de baixo. Deve ser lindo. Quem sabe numa proxima vez?

No sábado a tarde, por exemplo, fizemos um piquenic no por do sol. Vinho branco, morangos, queijo, salada, numa área isolada. O sol se pondo por trás da minha cadeira. Isso, decididamente, não tem preço!

Ainda tenho três dias aqui no Arizona antes de voltar para Brasília. Há pequenos vilarejos históricos e povoados muito interessantes. Tenho que me apressar, para ainda ver o que falta.

A vida eh bela.



quarta-feira, 18 de abril de 2012

Existir ja eh muita coisa

Desde que cheguei ao Arizona, o  que mais tenho exercitado aqui, alem das longuíssimas caminhadas com meu amigo Tom Zé, eh existir.
O que chamo de existir eh fazer as coisas simples da vida. Nesta categoria estão parar, sentar, contemplar as pessoas, brincar com o cachorro, atualizar o álbum do face e o blog.

Já estive com ele por duas vezes na Universidade do Arizona, que eh fantástica, enorme, e que já justificaria algumas visitas.

Só o Museu estadual, que fica ao lado da Faculdade de Antropologia merecera um turno inteiro, o que alias, sera hoje.

Conheci o Museu do Deserto, repleto de plantas e animais desta região. Participei de uma caminhada promovida pela prefeitura, que lhe fornece um mapa para que você conheça pontos turísticos da cidade. A região do Arizona e lindíssima e ainda iremos no final de semana conhecer seu ponto alto, o Grand Canyon.

Tanto Ed como Tom Zé, trabalham com Educacao.
 Ed  trabalha com cegos, ensinando-lhes a adquirir independência e autonomia. Tem alunos cujas idades variam entre oito a vinte e dois anos.

Tom esta concluindo o doutorado em Antropologia, finalizando sua tese que tem o racismo como tema. Alem disso, ele ainda da aulas de Português na Universidade. Todos os amigos e amigas deles que conheci são também pessoas ligadas a área de educacao. Pessoas legais, atenciosas e interessantes. Na quinta-feira, eles farão uma reuniaozinha aqui e convidaram as pessoas que estão estudando Português para conversarem comigo. 

São estes para mim os momentos mais significativos de uma viagem.

Pois eh, existir já eh muita coisa mesmo.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

No Velho Oeste

Para quem sai de Nova York, qualquer que seja o destino, ele sera bem diferente. Imagine então, alguem que sai da efervescencia e borbulhancia de NYC para digamos, a região do chamado "Velho Oeste"americano? Pois foi o que fiz.

Foram dois os motivos que me trouxeram para cá. Mesmo enfrentando sete horas ao todo numa viagem de avião, eu queria visitar meu amigo Tom Zé, que mora aqui há anos e também, aproveitar para conhecer o maravilhoso Grand Canyon, que fica logo ali. 

Saindo de NY, peguei um voo  para Denver. Parando la, observo que a lanchonete se chama "Colorado", e que pessoas passam por mim usando botas, chapéus e camisa xadrez. Sem duvida, muito diferente. Duas horas depois, aterrisso em Tucson onde meus amigos Ed e Tom me aguardam. Paisagem de deserto, não falta nem aquela poeirinha dos filmes de faroeste...

No dia seguinte, um domingo, la fomos nos para as primeiras atividades. Tom Zé e professor de Português aqui e Ed ensina num curso para cegos. pelo que entendi, e como se ele ensinasse a essas pessoas como ter autonomia. Espero que de tempo de assistir a uma dessas aulas.

Meu primeiro dia foi bastante movimentado. Fizemos caminhada, fomos a um cafe onde Tom da aula de Português a Ed e outra moca, e ainda fomos a um aniversário de 60 anos de uma amiga de ED, também professora. Sobre este, achei interessante que ao chegar, cada um faz uma especie de crachá e coloca no peito. Assim, as pessoas se aproximam de você já sabendo seu nome e puxam conversa. Tom Zé me disse antes de sair de casa que o esquema  era este e que eu também deveria puxar conversa. Deu certo! Como alem do meu nome tive a ideia de desenhar também a bandeirinha do Brasil, este foi o chamariz. Fiquei feliz em conseguir conversar com varias pessoas, entendendo e me fazendo entender. 

Outra coisa sobre as festas, aqui nesta região. O convite para o aniversário, alem das informacoes de praxe, também especifica que tipo de alimento sera servido (no caso, foram tira gostos), e horário de inicio e final da festa. Esse era das 15h-18h. Tom Zé me disse que aqui os convites todos são assim e pude observar, que faltando dez minutos para as seis, o pessoal do buffet começou a recolher os pratos, talheres, etc. Sinal para que os poucos que ainda permaneciam no local começassem as despedidas. A comida, a proposito, estava deliciosa, lembrando que o México e logo ali e que em alguns pratos, como na batata doce com ricota e no sorbet (sorvete sem leite,só a fruta com acucar) havia bastante chili (pimenta mexicana).

No próximo final de semana botaremos o pé na estrada, rumo ao Grand Canyon. Mas ate la, com certeza já terei vivido novas e emocionantes aventuras.

Nova York: Tudo isto e muito mais

Há momentos em que penso que as coisas demoram a acontecer na minha vida. Mas, quando  reflito com um pouco mais de cuidado, constato que tudo comigo acontece na hora certa.

Eu e Remie
Hoje, muitas são as pessoas cuja primeria experiência internacional e vir para os Estados Unidos, mais precisamente, para Miami. No meu caso foi diferente. A minha primeira viagem foi para o Peru, Bolívia, depois veio Cuba. Europa. México, Europa de novo e só agora Estados Unidos. Creio que na hora certa.

Eu já  havia experimentado a juncão entre estudo e lazer na Inglaterra e a experiência foi muito boa. Quando decidi fazer a mesma coisa aqui, tinha em em mente o objetivo de conhecer este pais tao múltiplo como o nosso de uma outra forma. Assim, durante as duas semanas que passei aqui, tive aulas de inglês no período da manha e as tardes saia com uma professora para programas culturais e de lazer. Alem de turbinar meu inglês, pude realizar o sonho de estar em museus fantásticos e em lugares interessantissimos.

Como vim num sistema de ficar em casa de família, mais uma vez dei muita sorte. Assim como na Inglaterra, fui muito bem recebida e tratada. Remie, uma simpática filipina que trabalha como enfermeira, superou em muito o que era previsto no contrato, que era quarto e cafe da manha. Quase uma mãe, não me deixou faltar nada, saiu comigo inúmeras vezes. enfim, foi de uma gentileza fantástica. São anjos assim, que aparecem na nossa vida e que nos fazem acreditar que existe mesmo uma forca maior que nos proteje e orienta.

Luciana, Isa e eu na Parada da Pascoa
Ainda tive a sorte de, durante os feriados da Semana Santa, contar com a companhia de duas colegas de Banco, que estavam a serviço em Miami e que vieram para Nova York. Cada uma de seu jeito, tornaram meus feriados dias fantásticos, onde nos divertimos muito. Os sorrisos de Isa e Luciana com certeza fazem parte da galeria dos ótimos momentos aqui em New York City.

Sobre a cidade, tanto já foi dito e ela e mesmo tudo isto e muito mais. Milhares de opcoes culturais, locais a serem explorados, metro facílimo de usar, gente de todos os tipos e racas. Aqui se vê pessoas vestidas de todas as maneiras possíveis. Fiquei impressionada com os bebes, que estão em toda parte nos seus carrinhos, mesmo em shows noturnos. Creio que deva ser pelo fato dos pais não terem com quem deixa-los. Mesmo na movimentadissima Times Square, perto da madrugada, la estão eles, os bebes. Estive em dois espetáculos da Broadway, Mary Poppins e Priscilla, a Rainha do Deserto. Sai de ambos impresssionada com a qualidade e preparo físico e vocal dos atores. Espetáculo, sem duvida.

Ultima foto em NY, na varanda da casa de Remie
Como tinha  algum tempo, me arrisquei,  inclusive sozinha, em locais que não fazem parte do circuito tradicional de quem vem aqui. Estes são, para mm, momentos de uma felicidade indescritível. Fiz questão de ir ao Bronx e ao Brooklyn, ver um pouco o outro lado da cidade. 

Sobre os museus, havia momentos em que dava tristeza, pois faltava tempo e perna para ver tudo. Só no Metropolitan são cem mil pecas expostas, o que necessitaria de muito, muito  tempo. No dia em que estive no Museu de Arte Moderna, perto do final da tarde entreguei os pontos. Estava embriagada com tanta beleza e tive receio de sofrer uma overdose. Fui então levada pela minha professora para conhecer o melhor chocolate quente da cidade. Fechamento perfeito para seis tardes culturais que partilhamos durante a minha estada.

Por opcao, não estive em nenhum shopping ou outlet. Mas comprei nas lojinhas dos museus, que adoro, e em uma loja com roupas mais criativas e artesanais. Com tanta vida correndo la fora, como eu poderia me enfurnar em lojas? Concordo que a diferença de preços existe e e bem representativa, mas não foi esta a minha prioridade.

Valeu esperar tanto tempo, valeu vir do jeito que vim. Tudo valeu.




terça-feira, 10 de abril de 2012

Sobre o curso e os colegas

Quando decidi que viria aos Estados Unidos, de cara pensei em fazer um curso de inglês, mesmo que fosse de curta duracao. Já tinha vivido esta experiência na Inglaterra e gostado muito. Assim, quando vi numa revista de viagens que existia curso de idiomas para pessoas maiores de cinquenta, me animei logo. Comecei os preparativos cada vez mais animada para não só conhecer o pais como também, para fazer novas amizades. 
Só que ao chegar aqui, a diretora da escola me avisou consternada que não haveria outras pessoas da minha idade, pois não houve inscricao. Ela acredita que este publico só agora esta despertando para esta possibilidade de unir turismo e educacao. Sendo assim, eu fiquei numa turma de jovens, mas ao contrario da minha experiência inglesa, aqui eles são bem interessados e participativos. As aulas são dinâmicas e bem gostosas. O simples fato de estar numa sala com pessoas da Rússia, Japão, Arabia Saudita, Corea, Venezuela, Colômbia, Alemanha, já e em si, uma fonte de aprendizado.

 E como minhas aulas são apenas na parte da manha e que pelo contrato eu teria direito a atividades culturais na parte da tarde, a solucao encontrada foi colocar uma professora a minha disposicao para passeios onde eu escolher. Pois e, aulas particulares de trés horas todas as tardes, nos mais interessantes locais desta cidade.

Não tenho do que me queixar.

Almoços de Domingo

  Feijão, arroz, galinha assada. Feijão, arroz, carne de porco assada. Aos domingos era ou um, ou outro. Sempre. Mesmo sendo uma família...